quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Urgente! Defende o teu direito de ser ouvido, defende a Iniciativa dos Cidadãos Europeus.

Socorro! A Comissão Europeia está a tentar soterrar uma das poucas reformas democráticas que podiam equilibrar a balança de poder entre os poderosos interesses instalados e a vontade dos cidadãos europeus. Atrás de portas fechadas, burocratas europeus estão neste momento a complicar o mecanismo da recém-criada Iniciativa de Cidadãos Europeus, de forma a diminuir ou mesmo aniquilar a sua influência nas decisões políticas.

Um pouco por todo o mundo desenvolvido estamos a assistir a uma erosão rápida dos nossos direitos cívicos e humanos, pelos quais homens e mulheres lutaram durante séculos e alguns dos quais só estamos a gozar desde a 2ª guerra mundial. Na corrida para assegurar os últimos recursos do planeta, uma elite de empresas grandes e governos de países ricos precisam de abafar e deslegitimar os inevitáveis protestos à pilhagem e destruição do bem comum. A tentativa de desacreditar os movimentos sociais durante a Cimeira da Nato em Lisboa é apenas um de muitos exemplos da manipulação das massas que caracteriza o modo de governar actual.

>>ouvir entrevista à cineasta Raquel Freire, testemunha do cerco policial e pressão psicológica a um grupo de manifestantes no desfile do Sábado passado:

Não deixa passar em branco este atentado flagrante ao direito dos cidadãos de se fazerem ouvir junto dos políticos que elegeram!

Assina a petição para proteger a Iniciativa de Cidadãos Europeus, uma das poucas vias que nos restam para participar nas decisões que nos afectam a todos.


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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Get the picture, earthlings! The eARTh project.

Below are some of the pictures captured at almost 700 km outside our tortured atmosphere, of giant community art projects that hope to remind us of the fact that we are living on a fragile planet.

In New Delhi, India, 3.000 students and teachers joined aerial artist Daniel Dancer to form an enormous elephant with rising seas below to ask world leaders to not ignore the "elephant in the room":


In the USA, citizens of New Mexico showed how the Santa Fe River bed could look if there was still water running through it:

In Cairo, artist Saragh Rifaat and citizens from Egypt created the Solar Scarab - praying for an energy revolution:
In Delta del Ebro, Spain, citizens created the face of a young girl who wants the Delta to survive the threat of climate change:


earth350.org

Balanço da operação “Alta visibilidade, forte ostensividade, tolerância zero”

Do nosso correspondente em Lisboa, onde o estado de sítio já foi levantado

O comandante João Capacete faz um balanço extremamente positivo da operação de segurança para a Cimeira da Nato:

- Com o empenho de todas as valências da GNR conseguimos selar as fronteiras terrestres, marítimas e aéreas e impedir cerca de 200 activistas, entre eles palhaços, objectores de consciência, pessoas com roupas pretas na mala e pessoas que apenas confessaram que iam à contra-cimeira, de entrar no nosso país.
- Colocámos cerca de 8.000 efectivos da PSP nas ruas de Lisboa (tivemos que trazer alguns de outras cidades, onde não prevíamos distúrbios). Nas situações de maior perigo havia um agente para cada três indivíduos potencialmente desordeiros e nas situações de menor perigo tínhamos cerca de 20 agentes para cada sujeito.
- A operação deu para ensaiarmos técnicas de vigilância com câmaras, pois obtivemos uma autorização especial do governo. Também fizemos algum trabalho de intercepção das comunicações mas devido àquele episódio das escutas isso não foi tornado público para não irritar os VIPs.
- Conseguimos que sessenta novos elementos do Corpo de Intervenção fizessem o curso de "Ordem Pública" a tempo de participarem na Cimeira. Podem ver no video como ficaram bem preparados.
- Com a ajuda de vários jornalistas e jornais menos atentos, conseguimos assustar os portugueses com rumores de terroristas a caminho do país e baralhámos as notícias de forma a que ninguém soubesse exactamente qual a diferença entre um terrorista, um anarquista, um adepto Black Bloc e um activista.
- Conseguimos material novo para a PSP à pala da Cimeira. Os blindados, as 45 viaturas anti-motim, as viaturas destinadas a transporte de detidos, um canhão de água, uma viatura pesada e seis ligeiras para remoção de obstáculos, num valor de 4,5 milhões de euros, ainda não chegaram ao país, mas vão dar jeito para conter as desordens que se prevêem com isso da crise.
- Mesmo sem canhão de água e viaturas para detidos, conseguimos apreender 42 desordeiros que estavam a bloquear um dos acessos à Cimeira de maneira pacifista. Ainda os detivemos umas 12 horas para assustar os outros activistas, mas como não arranjamos mais pretextos para prolongar-lhes a estadia na prisão, foram soltos ainda no Sábado.
- Com alguma pena dos camaradas treinados para combater situações de violência concertada, os protestos foram todos pacíficos e não houve nenhum acto de vandalismo nem houve motins. Não conseguimos dar de caras com um único Black Bloc. Estamos obviamente preparados para muito mais e temos equipamento de sobra, por isso estamos a fazer figas para que a próxima reunião da Organização Mundial do Comércio seja em Lisboa!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Bem-vindos a Lisboa, a pérola da Nato.

Hoje começou finalmente a Cimeira da Guerra e muito apropriadamente a cidade de Lisboa assumiu as mecânicas de um estado de sítio para o qual foi cuidadosamente preparada durante os últimos meses pelos governantes do país e agentes da "autoridade".

Com a ajuda de jornalistas menos escrupulosos e jornalistas apenas ignorantes (artigos DN por Valentina Marcelino, artigo Sol, e.o.) - inoculando o público para tolerar as medidas e despesas aplicadas para travar supostas ameaças de terroristas da Al-Qaeda, anarquistas, "outros grupos de esquerda" ou, porque não, "pessoas vestidas de preto"- e gestos dramáticos como a suspensão unilateral do Acordo de Schengen, a criação de uma espécie de "Green Zone" na Expo e o cancelamento do concerto dos Arcade Fire, o aparato de segurança da Cimeira deixou claro que Lisboa dá as boas-vindas aos senhores da guerra, mas não estende o mesmo gesto aos senhor@s da paz.

Duas centenas de activistas foram impedidos de entrar em território português, sem uma boa justificação, violando o direito à liberdade de opinião, de reunião e de expressão consagrado na carta internacional dos direitos humanos. Entre os activistas proibidos de pisar território português, estão os palhaços da Clown Army, um dos melhores exemplos de protesto criativo não-violento e um grupo de objectores de consciência da Finlândia.

Deslegitimando movimentos reconhecidamente pacifistas, as autoridades conseguem muito eficazmente diminuir a participação de activistas bem preparados, organizados e mediáticos e tentar assim desorientar o protesto contra a Nato, abrindo caminho para o uso de medidas repressivas indiscriminadas.

Não se trata do primeiro incidente de perversão da tradicional hospitalidade portuguesa, mas é certamente o mais descarado.

Para perceber como chegamos a este clima fascista, passemos de relance os principais episódios negros na história de Portugal-anfitrião de pessoas-mais-importantes-que-nós:
  • 2003: a Cimeira das Lajes - não obrigou ao corte de trânsito nas ruas de Lisboa nem deu direito a ponte mas ditou a guerra do Iraque, ligando para sempre Portugal a este crime irreparável. Ajudou também a salvar a Nato da extinção, empenhando-a numa guerra com contornos místicos que ecoam as cruzadas, onde o inimigo, para além do "herege" muçulmano, é toda e qualquer pessoa não conformada.
  • 2007: a Assinatura do Tratado de Lisboa - foi certamente caro, mas como só estavam presentes europeus não foi preciso paralisar a cidade..
  • 2009: a Cimeira Ibero Americana - aqui contámos com as eminentíssimas presenças de senhores ultra-poderosos como o Obama e o secretário-geral da Nato, por isso já deu para brincar com blindados e condicionamentos de trânsito e ensaiar as técnicas dos SWAT. Também foi nesta cimeira que se instituiu a tradição da tolerância de ponto em dias de visitas de super VIPs.
  • já em 2010: a Visita do Papa - atenção, está nesta lista não por se tratar de um senhor da guerra (espero bem que não) mas porque a histeria securitária do governo português atingiu novos patamares: uma cidade paralisada, refém das decisões tomadas pelos seus governantes para garantir a segurança de pessoas que, num mundo sem guerras e desigualdades, podiam simplesmente usar os transportes públicos, como fazem os primeiros ministros de países como Holanda, Dinamarca e Suécia. O que podia ter sido um dia santo para quem gosta do Papa foi transformado num dia de barulho infernal de helicópteros e sirenes, com a cidade cortada ao meio durante mais de uma hora.
Três coisas a reter olhando para a lista de eventos histericamente apadrinhados pelo governo português:
  1. Proteger uma elite das imaginárias massas raivosas num mundo onde o fosso que separa os ricos dos pobres se aprofunda é muito caro. Só para a segurança dos amigos da Nato o estado português vai gastar perto de dez milhões de euros. A visita do Papa custou uns estimados 37 milhões de euros por dia, incluindo, é verdade, três altares descartáveis :-)
  2. Por outro lado, os gastos em segurança ajudam a alimentar um mercado que emergiu com a guerra do Iraque, o da segurança doméstica (home security), estimado em muitas centenas de milhares de milhões de euros com um crescimento anti-cíclico (mais crise, mais mercado) e que está a dar fôlego às sofridas bolsas financeiras. Os países ricos com mercados saturados encontram neste novo mercado de choque a fórmula para manter o crescimento a vários dígitos que segundo os analistas mais sensatos deveria ser uma coisa do passado.
  3. A cereja em cima do bolo: os produtos e serviços deste mercado são largamente financiados pelos contribuintes!
Entretanto fui dar uma volta por Lisboa. As ruas estão desoladas e reina um silêncio que mais faz lembrar um qualquer Domingo não fosse pela presença de coletes amarelo fluorescente em cada esquina, bandos de agentes da PSP com postura conspiradora em cada bairro, umas barreiras rua sim-rua não para condicionar o pouco trânsito que se verifica e o zunzum de fundo dos helicópteros. Por obediência ou medo, os portugueses refugiaram-se nas suas casas. Nas ruas uma em cada duas pessoas é agente e a outra turista (com ar ligeiramente perplexo).

Um mercado que lucra exclusivamente com as calamidades e estados de sítio, precisa de investir continuamente na promoção de um mundo inseguro. Portugal, o eterno bom aluno, conseguiu. Lisboa acatou o recolher obrigatório, um circo pago com o nosso dinheiro, para proteger pessoas-mais-importantes-que-nós que viram o futuro e decidiram que está repleto de perigos indefinidos que merecem medidas de segurança mais elevadas e a gradual limitação de direitos cívicos consagrados, como a livre expressão de ideias, a livre reunião para as discutir e o livre protesto não-violento para as exigir.


Bem-vindos a Lisboa, bem-vindos ao admirável mundo novo.

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Uma das maiores mobilizações de massas contra o transporte de lixo nuclear



Dezenas de milhares de pessoas participaram no protesto contra o mais recente transporte de lixo radioactivo entre França e Alemanha, o 12º comboio nuclear desde 1995 e tantas vezes contestado. A causa mobilizou um grupo tão grande e heterogéneo (a manifestação em Dannenberg, perto do fim do trajecto, mobilizou mais de 50.000 pessoas, um recorde no protesto anti-nuclear) não só porque esta caravana sinistra é um verdadeiro Chernobyl sobre rodas em termos de radioactividade e risco de acidente, como também porque Angela Merkel demonstrou querer suspender a decisão do seu antecessor de acabar progressivamente com a energia nuclear a partir de 2020.

Milhares de activistas, incluindo da Greenpeace, conseguiram bloquear a linha de comboio em vários momentos ao longo do trajecto por onde segue o carregamento de resíduos nucleares. Estão a ser precisos perto de 20.000 (!) agentes da polícia e uns 50 milhões de euros segundo a última estimativa para levar a cabo o transporte e até esta hora o atraso já vai em mais de 24 horas. Sete mil pessoas ainda estão a bloquear as vias de acesso a Gorleben, a vila condenada a ser o destino final de mais de mil toneladas de lixo eterno.



Updates no site do Gaia
Indymedia Portugal
Notícia na Ecosfera
Post do Director Executivo da Greenpeace International, presente na manifestação