terça-feira, 5 de maio de 2009

Colapso que se preze tem companhia... Companhia S.A.


Os problemas mais profundos da nossa era originam colapsos faseados no tempo e aparentemente díspares. No entanto é só ligar os pontos para chegar à fonte. Por mais opacos que possam parecer a produção e o comércio globalizados, os seus princípios são muito simples. Ou não os ensinavam com tanta facilidade nas escolas de gestão pelo mundo fora a qualquer candidato a colarinho branco. Aprende-se nos primeiros dias de qualquer curso BBA ou MBA (Confiem em mim, eu estive lá). Minimizar os custos, maximizar os lucros. Atingir economias de escala. Aproveitar todos os vazios na lei e cortar todos os cantos. O lucro é para o accionista, o custo para o ambiente e a humanidade fica para o contribuinte. Ninguém vai preso, com excepção do ocasional especulador solitário com azar. Isso só para aprender não tentar a sorte fora das mega-corporações. Essas, com direitos cimentados em betão e mais intocáveis que os diplomatas, fazem a inveja de qualquer criminoso. 

E agora a relação deste raciocínio com a gripe suína..

Pelo meio de teorias da conspiração em torno da gripe H1N1 das mais críveis (negócio das vacinas) às mais maquiavélicas (controlo da população mundial), começa a emergir uma imagem muito insalubre da indústria de carne. E aparece um ponto no mapa mundi: La Gloria, Mexico, onde vive o que se julga ser o paciente zéro. Mesmo ao lado de uma das fábricas (investiguem e vão perceber porque é que aqui já não podemos falar de quintas..) do maior produtor mundial de porcos, a Smithfield (que serve um em cada três porcos nas mesas norte-americanas). Entre 20 a 50% (conforme os relatos, pois não há posição oficial das autoridades) dos habitantes de La Gloria tem problemas de saúde desde Fevereiro. Há 3 mortes não confirmadas na aldeia. Aliás, nada foi nem será confirmado enquanto tanto as autoridades como a multinacional tentam desviar as atenções deste possível foco de infecção. A última coisa que a indústria de carne quer é uma investigação nos seus métodos mengelianos de criação de animais, com um uso de pesticidas (polverizados directamente nos animais) e antibióticos (um consumo 5x superior ao dos humanos!) completamente fora de controlo. Mas tudo indica que vai ter que engoli-la (se assinarem a petição abaixo :-) ).

E assim, expectavelmente, podemos adicionar à lista das principais queixas contra a indústria de carne (1. consome 50% da água potável a nível mundial e 2. polui a restante, 3. contribui para 20% dos gases com efeito de estufa (mais do que todos os meios de transporte juntos), 4. devora metade dos cereais disponíveis (e praticamente todos os cereais transgénicos), 5. ocupa 30% da terra firme livre de gelo e 6. em muitos países é a primeira causa da desflorestação) um nº 7: é um laboratório de superbactérias e pandemias nunca antes vistas e dificilmente controláveis. (7)

Seguem links da Avaaz com os relatos disponíveis até agora (1 a 6) e um link para o dossier da ONGA portuguesa GAIA (8).

P.s. numa nota positiva: agora já se pode tornar vegetarian@ sem ter que aturar comentários do género "as plantas também sofrem". Basta citar dois ou três argumentos da lista acima..
 
(1) Reports on the link between the Mexican factory farm and the flu:
The Independent 
LA Times 
Scientific American

(2) 
WHO pandemic information
WHO report

(3) 
FAO report and CIWF press release citing European Commission Study on the risks of industrial farming
FAO and CIWF 

(4) 
CIWF and PETA video reports of the disgusting conditions for animals in factory farms and the disease ridden manure swamps:
CIWF and PETA 

(5) 
Reports on Smithfield's animal welfare and environmental damage
The Independent 
Food & Water Watch 
Avaaz Report 

(6)
Reports on UK tax payers subsidising factory farms

(7) O rol de queixas contra a indústria de carne

(8) Dossier GAIA: "Gripe suína: um olhar para além da pandemia"
A gripe (João Vasconcelos Costa, virologista)
As origens genéticas do virus
 (Wikipedia / Lemonde.fr)
A gripe suína desvenda o monstruoso poder da indústria pecuária
 (Mike Davis, professor de História)
O nome da gripe é Smithfield Foods
 (Cristóvão Feil)
Gripe suína: uma aliança suspeita entre a agro-indústria e as farmacêuticas 
(Gualter Barbas Baptista, GAIA)
O lucro, outra epidemia que avança
 (Silvia Ribeiro, investigadora do ETC, México)
Face à gripe, um compromisso dos camponeses
 (Gustavo Duch, presidente dos Veterinarios Sin Fronteras)
A gripe suína na comunicação social corporativa
 (ligações externas)


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