sexta-feira, 29 de maio de 2009

Massa Crítica em Menor

29 de Maio, última sexta-feira do mês, dia de Massa Crítica e dia da mobilidade suave para mim e a minha filha..

Saímos cedinho a abraçar um dia de verão maravilhoso mas a requerer cuidados adicionais (muita água, muito protector, ritmo slow). Já deu para sentir o resultado das aulas de condução de bicicleta com a Cenas a Pedal! A viagem para a escola em Monsanto foi bem mais fácil agora que já não nos deixamos entalar pelos carros, alternando entre circular à direita quando há espaço para tal, ocupar a via quando não há, e fazer paragens controladas para deixar passar algum trânsito acumulado se necessário. De repente, os 30 km que percorremos durante o dia não nos custaram mais do que os primeiros 10 quando começámos com estas aventuras.

Ao fim da tarde, com o calor a começar a dar tréguas, chegámos mesmo em cima da partida da Massa Crítica no Marquês de Pombal. Que bela Massa Crítica com perto de 60 pessoas e bons exemplos de situações caricatas com automobilistas! Como a senhora que entrou em pânico quando viu o seu carro rodeado de ciclistas, à frente, atrás e dos lados, e começou a buzinar histericamente :-))

Com a vantagem dos dias longos, ainda deu para transformar o ponto de chegada no Largo do Camões numa ampla esplanada com estacionamento à porta..

terça-feira, 26 de maio de 2009

C-days de 28 de Maio: um debate impróprio para consumo

Esta quinta-feira, no Centro Social do Gaia, antes do Jantar Popular, terá lugar mais um debate "C-days":

consumir v. tr.   1 fazer desaparecer pelo uso ou pelo gasto...

Comprar, trocar, impingir, oferecer, usar, reutilizar, arranjar, desperdiçar, esbanjar, roubar, vestir, guardar,...
Não faltam verbos transitivos para descrever a nossa relação com os objectos. Desde a primeira ponta de lança em pedra até aos ipods e iphones, também não faltam pessoas que os considerem imprescindíveis. As fronteiras entre objectos essenciais, objectos úteis, objectos de decoração, objectos de recordação e objectos de estimação são nebulosas. Os nossos objectos parecem adquirir os traços das nossas personalidades tais como os nossos animais domésticos. Nesta projecção que anima os objectos aos nossos olhos, muitos de nós encontramos a nossa auto-estima, a nossa segurança e até a nossa definição. Afinal, quem somos sem coisas? E o que são coisas sem nós?

Convidamo-vos, não para petiscar algumas facetas do consumo, mas para produzir as vossas próprias respostas num debate sem publicidade, sem obsolência programada (a não ser as horas do jantar :-) ), sem ideias descartáveis, sem embalagens e sem divisão de trabalho.

Quatro convidados ajudarão a responder a quatro das perguntas sugeridas em dez minutos. Se vos apetecer, escolham também uma e exijam quatro minutos! Ou então venham só escutar, comentar, perguntar.. Tudo menos consumir ;-)

Apareçam!

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Quais as formas actuais de anticonsumismo? - Ariana Jordão, Freegan
É possível livrarmo-nos do verbo consumir?
O chamado consumo sustentável não será uma falácia?
Quando os produtos mais responsáveis são mais caros, isso é bom ou mau sinal?
Como podemos passar de consumidor a produtor?
Reciclar, Reutilizar, Reduzir, Reparar, Recusar, Respeitar: quantos R's há afinal?
Até onde e até que ponto é que o consumo local é local?
Como retomar o espaço cultural que o consumo ocupa?
E se partilhássemos em vez de possuirmos?
A economia colapsa se deixarmos de consumir? - Mó de Vida, Cooperativa de Consumo
Como defendermo-nos do consumo indirecto? (media, propaganda e publicidade) - Yve Le Grand, Antropóloga Alimentar
Somos mesmo livres de consumir ou não consumir?
Como criar alternativas ao mercado de consumo?
Como consumir menos e ter mais qualidade de vida?
Quando é que lixo é mesmo lixo? - Sérgio Serra, Dinamizador do Freecycle Lisboa

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C-days é uma iniciativa do Banco Comum de Conhecimentos, o Centro Social do Gaia e o Trocal. A dinamização dos encontros está aberta a todos os que tenham um tema comunitário por partilhar, em todos os formatos imaginários. Mais em The C-days.

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Local: Centro Social do Gaia
Grupo Desportivo da Mouraria, Tv da Nazaré 21

quarta-feira, 20 de maio de 2009

The Ministry of Rice

An important Public Service Announcement from Your Government and The Biotech Industry pronouncing the benefits of Genetica...

Um vídeo brilhante da Greenpeace para denunciar a armadilha verdadeiramente inacreditável que está a ser montada pela Bayer e a Comissão Europeia (com ajuda de outros amigos) e que pode levar à entrada na Europa pela porta traseira do primeiro arroz transgénico a ser comercializado no mundo. Este arroz não foi sujeito a testes dos riscos para o ambiente e a saúde pública a médio e longo prazo nem submetido à opinião pública, bastando a palavra da Bayer e uns estudos sumários em países onde nem sequer cultivam arroz.. 

Do que já sabemos dos transgénicos, quando nos deixam estudá-los, as consequências não só serão nefastas como irreversíveis. Para além de sérios riscos para a saúde humana por causa da ingestão de alimentos não-naturais, o herbicida (glufosinato, da própria Bayer :-~) ao que este arroz é resistente é de tal maneira tóxico que vai ser proíbido na União Europeia...




domingo, 17 de maio de 2009

E esta foi a resposta da EDP..


fromedp.online@edp.pt
reply-toedp.online@edp.pt
date16 May 2009 10:02
subjectPedido de dados adicionais
hide details 16 May (1 day ago)
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Nossa Referência: E-mail 6421/09/DAC
Data: 16 - 5 - 2009
Assunto: Pedido de dados adicionais
Ex.ma Sra. D.ª Lanka Horstink 

Reportamo-nos à mensagem que nos enviou no dia 14 de Maio, e que mereceu a nossa melhor atenção.

A fim de podermos dar seguimento ao assunto, solicitamos que nos sejam fornecidos alguns dados adicionais, nomeadamente:

- Número de Cliente;
- Código de Identificação de Local.

Com os nossos melhores cumprimentos,
Filipa Alexandre
(EDP - Serviço Universal)

Carta enviada à EDP no âmbito do protesto digital contra a sua campanha enganosa

No âmbito da acção cibernauta lançada por ambientalistas e especialistas em ambiente - entre eles a Plataforma Sabor Livre, FAPAS, GEOTA, LPN e SPEA -, protestando a campanha publicitária (ainda a decorrer) da EDP, foi preparada uma carta para qualquer cidadão preocupado/a poder enviar à EDP. 

A campanha de comunicação da EDP, amplamente divulgada nos mais diversos órgãos de comunicação social (com o nosso dinheiro), escandalizou as Organizações Não Governamentais de Ambiente e inúmeras individualidades ligadas à conservação da natureza. Esta campanha associa erradamente as barragens à protecção da biodiversidade, quando na verdade a sua construção significa uma forte ameaça tanto às populações humanas como às espécies silvestres, não só as referidas na própria campanha - aves rupícolas, peixes, lobos, morcegos e flora – mas todas as constantes da biodiversidade específica de cada habitat.


--
Exmos(as) Srs(as)

 

Venho por este meio manifestar o desagrado com a campanha publicitária que a EDP lançou recentemente. Trata-se de uma publicidade inoportuna e tendenciosa, na medida em que manipulam imagens de rios sem barragens para justificar opções de represamento, cuja argumentação técnica não é imparcial, como provam os processos jurídicos a decorrer.

 

Será mais útil utilizar os recursos mediáticos para informar sobre eficiência energética e mostrar exemplos concretos nesse sentido, do que fazer este tipo de investimentos em opções do lado da oferta, que já não se coadunam com as necessidades ambientais da época. Estima-se que a adopção de  medidas de eficiência energética seria  de valor muito superior à da potência instalada nas novas barragens

 

O que constatou o Estudo da Comissão Mundial sobre Grandes Barragens (estudo que abrangeu um levantamento de 125 grandes barragens, acompanhado por 17 estudos temáticos sobre questões sociais, ambientais e económicas, sobre alternativas às barragens e sobre os processos institucionais e de governo):

 

- No saldo final os impactos sobre o ambiente são mais negativos que positivos e, em muitos casos, provocam danos significativos e irreversíveis a espécies e ecossistemas. Há destruição de florestas e habitats selvagens, desaparecimento de espécies e a degradação das áreas de captação a montante devido à inundação da área do reservatório. Há redução da biodiversidade aquática, a diminuição das áreas de desova a montante e a jusante e o declínio dos serviços ambientais prestados pelas planícies aluviais a jusante, brejos, estuários e ecossistemas marinhos adjacentes.

 

- Há impactos cumulativos sobre a qualidade da água e risco de salinização e degradação do solo se essa água for usada na rega.

 

- Constatou-se também que das barragens estudadas todas emitem gases que contribuem para o efeito de estufa, como ocorre com os lagos naturais, devido aos inerentes processos de decomposição em águas "paradas"; a intensidade dessas emissões varia muito dependendo da localização/ temperatura e condições do local; uma comparação fiável exigiria que fossem medidas as emissões de habitats naturais anteriores ao represamento. Além disso, há emissões não desprezáveis no fabrico do betão usado na construção.

 

- Considerando os enormes investimentos já feitos em grandes barragens, é surpreendente que haja tão poucas avaliações independentes do seu desempenho e mesmo essas têm um alcance restrito e não integram devidamente as categorias e escalas de impactes.

 

- Depois de um projecto de barragem ser aprovado em estudos de viabilidade técnica e económica e ter o interesse de políticos, governos e de órgãos externos de financiamento, a própria inércia do projecto em andamento costuma prevalecer sobre outras avaliações, como resultado, inúmeras barragens foram construídas sem atender aos critérios sociais e ambientais aplicáveis no contexto da época.

 

- Os conflitos em torno das barragens derivam da incapacidade dos seus defensores respeitarem regulamentos estabelecidos, as directrizes e normas internas das instituições; em alguns casos as oportunidades de corrupção propiciadas pelas grandes barragens, como projectos infra-estruturais de grande porte, contribuem para distorcer ainda mais o processo decisório, o planeamento e a implementação.

 

O estudo da comissão mundial indica ainda boas práticas a considerar:

- Existe uma considerável margem de aperfeiçoamento na selecção de projectos de barragens e na operação das grandes barragens existentes e sua infra-estrutura.

- Adoptar processos participativos na tomada de decisão e nas opções e estratégias de "desenvolvimento".

- Assegurar a monitorização e revisão dos ecossistemas afectados.

 

Em relação às medidas de eficiência energética estas deveriam ser extensíveis às escolas e equipamentos públicos, lâmpadas de LEDs, equipamentos classe A de consumos, tarifários bi-horários, equipamentos de aquecimento que não utilizem electricidade; edifícios com melhor isolamento e adaptados ao solar passivo e activo, que evitem a utilização de aparelhos de climatização consumidores de electricidade.

 

 

Cumprimentos,


 

terça-feira, 5 de maio de 2009

Colapso que se preze tem companhia... Companhia S.A.


Os problemas mais profundos da nossa era originam colapsos faseados no tempo e aparentemente díspares. No entanto é só ligar os pontos para chegar à fonte. Por mais opacos que possam parecer a produção e o comércio globalizados, os seus princípios são muito simples. Ou não os ensinavam com tanta facilidade nas escolas de gestão pelo mundo fora a qualquer candidato a colarinho branco. Aprende-se nos primeiros dias de qualquer curso BBA ou MBA (Confiem em mim, eu estive lá). Minimizar os custos, maximizar os lucros. Atingir economias de escala. Aproveitar todos os vazios na lei e cortar todos os cantos. O lucro é para o accionista, o custo para o ambiente e a humanidade fica para o contribuinte. Ninguém vai preso, com excepção do ocasional especulador solitário com azar. Isso só para aprender não tentar a sorte fora das mega-corporações. Essas, com direitos cimentados em betão e mais intocáveis que os diplomatas, fazem a inveja de qualquer criminoso. 

E agora a relação deste raciocínio com a gripe suína..

Pelo meio de teorias da conspiração em torno da gripe H1N1 das mais críveis (negócio das vacinas) às mais maquiavélicas (controlo da população mundial), começa a emergir uma imagem muito insalubre da indústria de carne. E aparece um ponto no mapa mundi: La Gloria, Mexico, onde vive o que se julga ser o paciente zéro. Mesmo ao lado de uma das fábricas (investiguem e vão perceber porque é que aqui já não podemos falar de quintas..) do maior produtor mundial de porcos, a Smithfield (que serve um em cada três porcos nas mesas norte-americanas). Entre 20 a 50% (conforme os relatos, pois não há posição oficial das autoridades) dos habitantes de La Gloria tem problemas de saúde desde Fevereiro. Há 3 mortes não confirmadas na aldeia. Aliás, nada foi nem será confirmado enquanto tanto as autoridades como a multinacional tentam desviar as atenções deste possível foco de infecção. A última coisa que a indústria de carne quer é uma investigação nos seus métodos mengelianos de criação de animais, com um uso de pesticidas (polverizados directamente nos animais) e antibióticos (um consumo 5x superior ao dos humanos!) completamente fora de controlo. Mas tudo indica que vai ter que engoli-la (se assinarem a petição abaixo :-) ).

E assim, expectavelmente, podemos adicionar à lista das principais queixas contra a indústria de carne (1. consome 50% da água potável a nível mundial e 2. polui a restante, 3. contribui para 20% dos gases com efeito de estufa (mais do que todos os meios de transporte juntos), 4. devora metade dos cereais disponíveis (e praticamente todos os cereais transgénicos), 5. ocupa 30% da terra firme livre de gelo e 6. em muitos países é a primeira causa da desflorestação) um nº 7: é um laboratório de superbactérias e pandemias nunca antes vistas e dificilmente controláveis. (7)

Seguem links da Avaaz com os relatos disponíveis até agora (1 a 6) e um link para o dossier da ONGA portuguesa GAIA (8).

P.s. numa nota positiva: agora já se pode tornar vegetarian@ sem ter que aturar comentários do género "as plantas também sofrem". Basta citar dois ou três argumentos da lista acima..
 
(1) Reports on the link between the Mexican factory farm and the flu:
The Independent 
LA Times 
Scientific American

(2) 
WHO pandemic information
WHO report

(3) 
FAO report and CIWF press release citing European Commission Study on the risks of industrial farming
FAO and CIWF 

(4) 
CIWF and PETA video reports of the disgusting conditions for animals in factory farms and the disease ridden manure swamps:
CIWF and PETA 

(5) 
Reports on Smithfield's animal welfare and environmental damage
The Independent 
Food & Water Watch 
Avaaz Report 

(6)
Reports on UK tax payers subsidising factory farms

(7) O rol de queixas contra a indústria de carne

(8) Dossier GAIA: "Gripe suína: um olhar para além da pandemia"
A gripe (João Vasconcelos Costa, virologista)
As origens genéticas do virus
 (Wikipedia / Lemonde.fr)
A gripe suína desvenda o monstruoso poder da indústria pecuária
 (Mike Davis, professor de História)
O nome da gripe é Smithfield Foods
 (Cristóvão Feil)
Gripe suína: uma aliança suspeita entre a agro-indústria e as farmacêuticas 
(Gualter Barbas Baptista, GAIA)
O lucro, outra epidemia que avança
 (Silvia Ribeiro, investigadora do ETC, México)
Face à gripe, um compromisso dos camponeses
 (Gustavo Duch, presidente dos Veterinarios Sin Fronteras)
A gripe suína na comunicação social corporativa
 (ligações externas)