sexta-feira, 27 de março de 2009

Dia da mobilidade suave: uma ciclostória para menores de 18 anos



Claro que cada dia deveria ser um dia de mobilidade suave, mas para quem vive na hegemonia do automóvel particular, esta opção não é tão livre como possa parecer. Para andar com segurança em Lisboa a pé, de bicicleta ou com outro meio de transporte 'slow', é preciso ter coragem e não se importar de ter que educar os transeúntes menos sensibilizados.

Para ajudar à tarefa, eu e a minha filha instituímos desde hoje um dia mensal da mobilidade suave. Será a última sexta-feira de cada mês, coincidindo com as bicicletadas da Massa Crítica. De manhã percorremos os cerca de 11 km até à escola em Monsanto, onde deixo as biclas para fazer a minha vida de metro. Ao fim da tarde pegamos novamente nas biclas e descemos até ao Marquês de Pombal para nos juntarmos ao pessoal da Massa Crítica e dar mais uma volta por Lisboa.

Para esta iniciativa ser verdadeiramente pedagógica, andamos mesmo pelas artérias da cidade, a minha filha à frente e eu atrás, a dar instruções.

Hoje a ida não correu nada mal, tirando um ou outro carro que teimava em acelerar e apitar, protestando a nossa ocupação da via. Outros abrandavam, com mais paciência e alguma curiosidade e deixavam nos seguir à frente deles, o que levava a algumas reclamações mais atrás.. Uma vez que traçámos um percurso o mais plano possível no Google maps, a maior subida que enfrentámos foi a do Parque Eduardo VII, que apesar do esforço oferece um belo passeio. Até descobrimos uns novos caminhos por parques simpáticos e para nosso grande alívio a parte complicada, em Sete Rios, já foi resolvida: a ciclovia está a avançar depressa e já não precisamos de navegar nos nós das vias rápidas.

A volta foi mais dura, pois chegámos tarde ao Marquês de Pombal e a caravana de ciclistas já tinha desaparecido em direcção à Fontes Pereira de Melo. Enchémo-nos de coragem e fomos à procura deles, com carros, táxis e autocarros a orbitar em grande número à nossa volta (isto às 7 da tarde..). A minha filha foi uma verdadeira heroína, ia à minha frente com lágrimas nos olhos, assustada com tanta motorização e já muito cansada, mas sem reclamar. Quando percebi pelos olhares dos peões que já estava a abusar da energia da Ava, cortámos para Mártires da Pátria e fomos para casa, sem mais problemas.

Para que nada falhe (como hoje) nestes dias de mobilidade suave, em breve vou ser a estreante de um curso de formação em condução de bicicleta destinado especialmente a mães/pais com filhos, organizado pela Cenas a Pedal. Vai ser extremamente útil para capacitar pais hesitantes para andar com segurança com os seus filhos na cidade.

Vamos ver se conseguimos encher estas ruas cansadas de Lisboa com uma variedade mais colorida de utentes ciclistas!


5 comentários:

yve disse...

sweeeet!

FeminineMystique disse...

hiiiiiii!!! adorei a estoria!!

continuem!

Bjs do Canada

RH disse...

fantástico! que o teu exemplo sirva de inspiração a mais famílias.

bjs,
hugo (maputo)

Marafarrico disse...

Ânimo! Com aportações como esta chegaremos lá. Obrigado pelo exemplo!

Se a minha bici falasse... disse...

Oi! Não tenho filhos mas se tivéssse, com certeza faria como tu. Parabéns! E parabéns pelo blog, muito interessante. Não litodo ainda mas tô adorando! Bjinhos! Tiane - Porto Alegre - RS - Brasil