segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Nada a temer a não ser o próprio medo



No dia 1 de Agosto saiu este artigo da autoria da Fernanda Câncio no DN Gente, sobre a jovem empresa Cenas a Pedal e os seus clientes ciclistas, entre os quais eu e a Ava, adeptas da variante activista da 'mobilidade suave em menor'.

Pouco a pouco, a bicicleta (re)ocupa a via ;-)

O fotógrafo António Henriques gentilmente cedeu as belíssimas fotos desta reportagem.

Uma sessão com STARHAWK - Sexta-feira, 7 de Agosto, no Centro Social do GAIA

"Terra, Espiritualidade e Acção"
Uma sessão com STARHAWK
7 de Agosto,
18.00 - 20.30 no Centro Social do GAIA




Juntem-se a nós numa visualização de um mundo diferente :-)

Starhawk é uma das vozes mais respeitadas no movimento contemporâneo da espiritualidade da terra. É também conhecida como activista e mobilizadora da justiça global, cujo trabalho e escrita são uma fonte de inspiração para muitos. É autora ou co-autora de dez livros, sendo o mais recente "The Earth Path: Grounding your Spirit in the Rythms of Nature".

Starhawk co-fundou a comunidade "Reclaiming", uma variante activista da religião Pagã moderna. Uma das suas iniciativas recentes vai pelo nome de "EAT" - Earth Activist Trainings", seminários intensivos que combinam design em permacultura com mobilização política e espiritualidade da terra.


Mais em starhawk.org

Uma iniciativa GAIA

Local do Evento:
Sala dos Reis
Centro Social do GAIA
Grupo Desportivo da Mouraria
Travessa da Nazaré, 21, Lisboa

Everything Gardens. We Garden. Let's Garden!


Pitch presentation given at the Social Innovation Exchange Summer School - Lisbon, July 15-17, 2009


I would like to put up a radical proposal for discussion. It draws on a holistic vision of the Earth and Earthlings in the future and addresses all the problems and needs we face today, peeling back all the politics and dialectics and embracing the simple bottom line. This vision has been around for quite some time, but it needs reminding until enough people subscribe to it.

The bottom line in any ecosystem, and therefore also these highly sophisticated and artificial looking ecosystems that we like to call society, is FOOD.

NO FOOD, GAME OVER.

It so happens that food is precisely the human and non-human animal need that has been most effectively catered out into the hands of powerful global oligopolies in the private sector and turned into a highly industrialised, highly polluting, not to mention toxic or even infectious, economic activity. Food is out of our control and out of control and now either stuffs us or starves us, to paraphrase Raj Patel, the researcher and author-activist. He claims that obesity and starvation are consequences of the same corrupt food system. While there is enough staple food produced to feed the world twice over, it doesn't get to all people and when it does, it has lost its nutritional value. Food production has very little to do with farmers anymore, and its producers couldn't care less about the land or even humans, let alone non-human animals. For most kids in the North, food is from Nestlé, Unilever or any of the large retail chains that have supplanted the local food communities.

It wasn't always like that. This happened in the last 60 years or so. There are still people alive today who know what farming is about. Our civilisation is intimately linked to farming, in fact we owe civilisation to farming. The city we are in today, Lisbon, has some of the best soil in the country below its concrete. The early settlers of Lisbon didn't think "great place for a view from the castle", they reckoned "here we can eat plenty".

I believe we are all still farmers, we have just forgotten how to. A true farmer knows the Earth can give us all we need, provided he or she takes care of the Earth.

This is exactly what we stopped doing!

So here's my proposal: to add Permaculture to the field of social innovation as one of the most useful tools to reorganise and empower our communities, since it draws on the best of methods to be found in social innovation: open source methodology, self governance, autonomy, self production, self training, D-I-Y, critical thinking, transparency, tolerance, collaboration and creativity. Let's train people to become farmers again.

A farmer in the broadest sense is a producer, a gardener, a craftsman/woman, a forester, a tailor, a cook, a herder, a beekeeper, a healer, a carpenter, even an engineer or an architect. A farmer knows how to take care of his or her needs, those of the Earth and those of his or her community.

To become farmers again, there's no need for a massive exodus to the countryside.. It is to take one step back and two steps forward. To merge the best of all that we have learned and of all that we have forgotten.

If people learn how to farm again, in this broad sense that I described, together we can heal not only the damaged ecosystems that we live in but also the social systems.

To terminate on a light note and invite you to the discussion, I quote one of the beautifully simple design principles from Permaculture:

EVERYTHING GARDENS.

WE GARDEN.
LET'S GARDEN!



terça-feira, 23 de junho de 2009

Festa na Horta Popular - Domingo 28 Junho



Adeptos, amigos e interessados de hortas urbanas e espaços verdes recuperados ou mesmo os aficionados de vistas sobre a cidade e o rio estão todos convidados para a II Festa na Horta!

Vamos celebrar mais um ano de existência da Horta Popular da Calçada do Monte (Graça) a partir das 11h com uma Oficina de Eco-Construção, Chi Kung, actividades para crianças (pinturas faciais e jogos), pic-nic, tertúlia sobre as hortas urbanas em Lisboa e concertos até ao pôr-do-sol.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Festival Sinergia na Fáb. Braço de Prata 26, 27 e 28 Junho




Este ano o Festival projecto Sinergia adopta o lema 'Algo maior que a soma das partes' e instala-se na Fábrica Braço de Prata durante os dias 26, 27 e 28 de Junho.


O Projecto Sinergia é um festival urbano de cultura sustentável que junta criadores, formadores, oradores e organizações, criando um efeito sinérgico maior do que actuando isoladamente.

O programa desta 3ª edição tem mais de 40 actividades entre concertos, workshops, tertúlias, documentários, ONGs, gastronomia e massagens. Não só o programa é maior, também o espaço ao ar livre da Fábrica Braço de Prata permite albergar mais participantes num ambiente descontraído e festivo. O programa, informações sobre as actividades e o alinhamento final do Festival estão publicados para consulta:

Programa final Festival Sinergia
(clicar na foto ou em 'alinhamento' para ver os horários)

Abaixo os resumos de 3 dos workshops. Não percam também as tertúlias sobre Banca Ética, Ciência e Responsabilidade Social, Escravatura e a do Agostinho da Silva!

Passe para os 3 dias: 10 € (até 21/6)

Cidadania Activa 27/6 12h30

O cidadão tanto é o elo mais fraco como o elo mais forte da sociedade à qual pertence. A dimensão do seu poder é proporcional à sua vontade de se responsabilizar pela gestão do bem comum e à sua capacidade de reinventar os mecanismos comunitários.

Uma oficina em formato aberto para (re)activar @ cidad@o em ti

O que esta sessão não é:

- Uma descoberta das maravilhas do powerpoint guiada por um especialista conhecido. Não vai haver computador.

- Uma panóplia de conceitos para ouvir, filtrar e esquecer. A cabeça não vai doer.

- Uma oportunidade para dormir uma sesta na última fila. Não vai haver filas.

- Uma confirmação da informação que esperavas obter. Não se sabe o que vais aprender.

Se te intriga a ideia de participar numa sessão onde quem quer que venha era para vir e onde o que quer que aconteça era para acontecer, então arrisca aparecer!

Facilitadoras: Lanka Horstink e Sara Correia

Hortas Urbanas 27/6 15h00

Horta popularAproximar a cidade ao campo com a lupa de uma horta - Horta Popular da Mouraria, um exemplo.

Com o crescimento demográfico de algumas cidades, o abastecimento de alimentos está cada vez mais dependente de áreas rurais distantes. As hortas urbanas dentro da cidade são uma forma de promover a capacidade das famílias em produzir seus próprios alimentos. Em tom de círculo aberto, vivo e interactivo falaremos sobre vantagens da existência de actividades ligadas à terra dentro da cidade com o exemplo da participação da Mara na horta Popular da Mouraria. Numa conversa onde todas as opiniões e experiências são válidas, Participa!

Formadora: Mara Sé

The Politics of Cooking 27/6 19h00

Photobucket

Oradora: Yve Le grand
As food has become a commodity, what you eat is about politics, whether you buy the food in a supermarket, at a farmers' market or grow it yourself, and even if you cook your food from scratch.

Have you ever questioned:

where cheap food comes from?

where the food was produced and by whom?

how many kilometers your food traveled before it got to your plate?

why so much food is processed?

what is actually inside the food?

whether convenience food is really convenient and if so, for who?

Then, the ultimate question is: who is actually paying the price for our access to cheap food?

It is thus that eating and cooking has become a matter of politics.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Massa Crítica em Menor

29 de Maio, última sexta-feira do mês, dia de Massa Crítica e dia da mobilidade suave para mim e a minha filha..

Saímos cedinho a abraçar um dia de verão maravilhoso mas a requerer cuidados adicionais (muita água, muito protector, ritmo slow). Já deu para sentir o resultado das aulas de condução de bicicleta com a Cenas a Pedal! A viagem para a escola em Monsanto foi bem mais fácil agora que já não nos deixamos entalar pelos carros, alternando entre circular à direita quando há espaço para tal, ocupar a via quando não há, e fazer paragens controladas para deixar passar algum trânsito acumulado se necessário. De repente, os 30 km que percorremos durante o dia não nos custaram mais do que os primeiros 10 quando começámos com estas aventuras.

Ao fim da tarde, com o calor a começar a dar tréguas, chegámos mesmo em cima da partida da Massa Crítica no Marquês de Pombal. Que bela Massa Crítica com perto de 60 pessoas e bons exemplos de situações caricatas com automobilistas! Como a senhora que entrou em pânico quando viu o seu carro rodeado de ciclistas, à frente, atrás e dos lados, e começou a buzinar histericamente :-))

Com a vantagem dos dias longos, ainda deu para transformar o ponto de chegada no Largo do Camões numa ampla esplanada com estacionamento à porta..

terça-feira, 26 de maio de 2009

C-days de 28 de Maio: um debate impróprio para consumo

Esta quinta-feira, no Centro Social do Gaia, antes do Jantar Popular, terá lugar mais um debate "C-days":

consumir v. tr.   1 fazer desaparecer pelo uso ou pelo gasto...

Comprar, trocar, impingir, oferecer, usar, reutilizar, arranjar, desperdiçar, esbanjar, roubar, vestir, guardar,...
Não faltam verbos transitivos para descrever a nossa relação com os objectos. Desde a primeira ponta de lança em pedra até aos ipods e iphones, também não faltam pessoas que os considerem imprescindíveis. As fronteiras entre objectos essenciais, objectos úteis, objectos de decoração, objectos de recordação e objectos de estimação são nebulosas. Os nossos objectos parecem adquirir os traços das nossas personalidades tais como os nossos animais domésticos. Nesta projecção que anima os objectos aos nossos olhos, muitos de nós encontramos a nossa auto-estima, a nossa segurança e até a nossa definição. Afinal, quem somos sem coisas? E o que são coisas sem nós?

Convidamo-vos, não para petiscar algumas facetas do consumo, mas para produzir as vossas próprias respostas num debate sem publicidade, sem obsolência programada (a não ser as horas do jantar :-) ), sem ideias descartáveis, sem embalagens e sem divisão de trabalho.

Quatro convidados ajudarão a responder a quatro das perguntas sugeridas em dez minutos. Se vos apetecer, escolham também uma e exijam quatro minutos! Ou então venham só escutar, comentar, perguntar.. Tudo menos consumir ;-)

Apareçam!

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Quais as formas actuais de anticonsumismo? - Ariana Jordão, Freegan
É possível livrarmo-nos do verbo consumir?
O chamado consumo sustentável não será uma falácia?
Quando os produtos mais responsáveis são mais caros, isso é bom ou mau sinal?
Como podemos passar de consumidor a produtor?
Reciclar, Reutilizar, Reduzir, Reparar, Recusar, Respeitar: quantos R's há afinal?
Até onde e até que ponto é que o consumo local é local?
Como retomar o espaço cultural que o consumo ocupa?
E se partilhássemos em vez de possuirmos?
A economia colapsa se deixarmos de consumir? - Mó de Vida, Cooperativa de Consumo
Como defendermo-nos do consumo indirecto? (media, propaganda e publicidade) - Yve Le Grand, Antropóloga Alimentar
Somos mesmo livres de consumir ou não consumir?
Como criar alternativas ao mercado de consumo?
Como consumir menos e ter mais qualidade de vida?
Quando é que lixo é mesmo lixo? - Sérgio Serra, Dinamizador do Freecycle Lisboa

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C-days é uma iniciativa do Banco Comum de Conhecimentos, o Centro Social do Gaia e o Trocal. A dinamização dos encontros está aberta a todos os que tenham um tema comunitário por partilhar, em todos os formatos imaginários. Mais em The C-days.

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Local: Centro Social do Gaia
Grupo Desportivo da Mouraria, Tv da Nazaré 21

quarta-feira, 20 de maio de 2009

The Ministry of Rice

An important Public Service Announcement from Your Government and The Biotech Industry pronouncing the benefits of Genetica...

Um vídeo brilhante da Greenpeace para denunciar a armadilha verdadeiramente inacreditável que está a ser montada pela Bayer e a Comissão Europeia (com ajuda de outros amigos) e que pode levar à entrada na Europa pela porta traseira do primeiro arroz transgénico a ser comercializado no mundo. Este arroz não foi sujeito a testes dos riscos para o ambiente e a saúde pública a médio e longo prazo nem submetido à opinião pública, bastando a palavra da Bayer e uns estudos sumários em países onde nem sequer cultivam arroz.. 

Do que já sabemos dos transgénicos, quando nos deixam estudá-los, as consequências não só serão nefastas como irreversíveis. Para além de sérios riscos para a saúde humana por causa da ingestão de alimentos não-naturais, o herbicida (glufosinato, da própria Bayer :-~) ao que este arroz é resistente é de tal maneira tóxico que vai ser proíbido na União Europeia...




domingo, 17 de maio de 2009

E esta foi a resposta da EDP..


fromedp.online@edp.pt
reply-toedp.online@edp.pt
date16 May 2009 10:02
subjectPedido de dados adicionais
hide details 16 May (1 day ago)
Reply
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Nossa Referência: E-mail 6421/09/DAC
Data: 16 - 5 - 2009
Assunto: Pedido de dados adicionais
Ex.ma Sra. D.ª Lanka Horstink 

Reportamo-nos à mensagem que nos enviou no dia 14 de Maio, e que mereceu a nossa melhor atenção.

A fim de podermos dar seguimento ao assunto, solicitamos que nos sejam fornecidos alguns dados adicionais, nomeadamente:

- Número de Cliente;
- Código de Identificação de Local.

Com os nossos melhores cumprimentos,
Filipa Alexandre
(EDP - Serviço Universal)

Carta enviada à EDP no âmbito do protesto digital contra a sua campanha enganosa

No âmbito da acção cibernauta lançada por ambientalistas e especialistas em ambiente - entre eles a Plataforma Sabor Livre, FAPAS, GEOTA, LPN e SPEA -, protestando a campanha publicitária (ainda a decorrer) da EDP, foi preparada uma carta para qualquer cidadão preocupado/a poder enviar à EDP. 

A campanha de comunicação da EDP, amplamente divulgada nos mais diversos órgãos de comunicação social (com o nosso dinheiro), escandalizou as Organizações Não Governamentais de Ambiente e inúmeras individualidades ligadas à conservação da natureza. Esta campanha associa erradamente as barragens à protecção da biodiversidade, quando na verdade a sua construção significa uma forte ameaça tanto às populações humanas como às espécies silvestres, não só as referidas na própria campanha - aves rupícolas, peixes, lobos, morcegos e flora – mas todas as constantes da biodiversidade específica de cada habitat.


--
Exmos(as) Srs(as)

 

Venho por este meio manifestar o desagrado com a campanha publicitária que a EDP lançou recentemente. Trata-se de uma publicidade inoportuna e tendenciosa, na medida em que manipulam imagens de rios sem barragens para justificar opções de represamento, cuja argumentação técnica não é imparcial, como provam os processos jurídicos a decorrer.

 

Será mais útil utilizar os recursos mediáticos para informar sobre eficiência energética e mostrar exemplos concretos nesse sentido, do que fazer este tipo de investimentos em opções do lado da oferta, que já não se coadunam com as necessidades ambientais da época. Estima-se que a adopção de  medidas de eficiência energética seria  de valor muito superior à da potência instalada nas novas barragens

 

O que constatou o Estudo da Comissão Mundial sobre Grandes Barragens (estudo que abrangeu um levantamento de 125 grandes barragens, acompanhado por 17 estudos temáticos sobre questões sociais, ambientais e económicas, sobre alternativas às barragens e sobre os processos institucionais e de governo):

 

- No saldo final os impactos sobre o ambiente são mais negativos que positivos e, em muitos casos, provocam danos significativos e irreversíveis a espécies e ecossistemas. Há destruição de florestas e habitats selvagens, desaparecimento de espécies e a degradação das áreas de captação a montante devido à inundação da área do reservatório. Há redução da biodiversidade aquática, a diminuição das áreas de desova a montante e a jusante e o declínio dos serviços ambientais prestados pelas planícies aluviais a jusante, brejos, estuários e ecossistemas marinhos adjacentes.

 

- Há impactos cumulativos sobre a qualidade da água e risco de salinização e degradação do solo se essa água for usada na rega.

 

- Constatou-se também que das barragens estudadas todas emitem gases que contribuem para o efeito de estufa, como ocorre com os lagos naturais, devido aos inerentes processos de decomposição em águas "paradas"; a intensidade dessas emissões varia muito dependendo da localização/ temperatura e condições do local; uma comparação fiável exigiria que fossem medidas as emissões de habitats naturais anteriores ao represamento. Além disso, há emissões não desprezáveis no fabrico do betão usado na construção.

 

- Considerando os enormes investimentos já feitos em grandes barragens, é surpreendente que haja tão poucas avaliações independentes do seu desempenho e mesmo essas têm um alcance restrito e não integram devidamente as categorias e escalas de impactes.

 

- Depois de um projecto de barragem ser aprovado em estudos de viabilidade técnica e económica e ter o interesse de políticos, governos e de órgãos externos de financiamento, a própria inércia do projecto em andamento costuma prevalecer sobre outras avaliações, como resultado, inúmeras barragens foram construídas sem atender aos critérios sociais e ambientais aplicáveis no contexto da época.

 

- Os conflitos em torno das barragens derivam da incapacidade dos seus defensores respeitarem regulamentos estabelecidos, as directrizes e normas internas das instituições; em alguns casos as oportunidades de corrupção propiciadas pelas grandes barragens, como projectos infra-estruturais de grande porte, contribuem para distorcer ainda mais o processo decisório, o planeamento e a implementação.

 

O estudo da comissão mundial indica ainda boas práticas a considerar:

- Existe uma considerável margem de aperfeiçoamento na selecção de projectos de barragens e na operação das grandes barragens existentes e sua infra-estrutura.

- Adoptar processos participativos na tomada de decisão e nas opções e estratégias de "desenvolvimento".

- Assegurar a monitorização e revisão dos ecossistemas afectados.

 

Em relação às medidas de eficiência energética estas deveriam ser extensíveis às escolas e equipamentos públicos, lâmpadas de LEDs, equipamentos classe A de consumos, tarifários bi-horários, equipamentos de aquecimento que não utilizem electricidade; edifícios com melhor isolamento e adaptados ao solar passivo e activo, que evitem a utilização de aparelhos de climatização consumidores de electricidade.

 

 

Cumprimentos,


 

terça-feira, 5 de maio de 2009

Colapso que se preze tem companhia... Companhia S.A.


Os problemas mais profundos da nossa era originam colapsos faseados no tempo e aparentemente díspares. No entanto é só ligar os pontos para chegar à fonte. Por mais opacos que possam parecer a produção e o comércio globalizados, os seus princípios são muito simples. Ou não os ensinavam com tanta facilidade nas escolas de gestão pelo mundo fora a qualquer candidato a colarinho branco. Aprende-se nos primeiros dias de qualquer curso BBA ou MBA (Confiem em mim, eu estive lá). Minimizar os custos, maximizar os lucros. Atingir economias de escala. Aproveitar todos os vazios na lei e cortar todos os cantos. O lucro é para o accionista, o custo para o ambiente e a humanidade fica para o contribuinte. Ninguém vai preso, com excepção do ocasional especulador solitário com azar. Isso só para aprender não tentar a sorte fora das mega-corporações. Essas, com direitos cimentados em betão e mais intocáveis que os diplomatas, fazem a inveja de qualquer criminoso. 

E agora a relação deste raciocínio com a gripe suína..

Pelo meio de teorias da conspiração em torno da gripe H1N1 das mais críveis (negócio das vacinas) às mais maquiavélicas (controlo da população mundial), começa a emergir uma imagem muito insalubre da indústria de carne. E aparece um ponto no mapa mundi: La Gloria, Mexico, onde vive o que se julga ser o paciente zéro. Mesmo ao lado de uma das fábricas (investiguem e vão perceber porque é que aqui já não podemos falar de quintas..) do maior produtor mundial de porcos, a Smithfield (que serve um em cada três porcos nas mesas norte-americanas). Entre 20 a 50% (conforme os relatos, pois não há posição oficial das autoridades) dos habitantes de La Gloria tem problemas de saúde desde Fevereiro. Há 3 mortes não confirmadas na aldeia. Aliás, nada foi nem será confirmado enquanto tanto as autoridades como a multinacional tentam desviar as atenções deste possível foco de infecção. A última coisa que a indústria de carne quer é uma investigação nos seus métodos mengelianos de criação de animais, com um uso de pesticidas (polverizados directamente nos animais) e antibióticos (um consumo 5x superior ao dos humanos!) completamente fora de controlo. Mas tudo indica que vai ter que engoli-la (se assinarem a petição abaixo :-) ).

E assim, expectavelmente, podemos adicionar à lista das principais queixas contra a indústria de carne (1. consome 50% da água potável a nível mundial e 2. polui a restante, 3. contribui para 20% dos gases com efeito de estufa (mais do que todos os meios de transporte juntos), 4. devora metade dos cereais disponíveis (e praticamente todos os cereais transgénicos), 5. ocupa 30% da terra firme livre de gelo e 6. em muitos países é a primeira causa da desflorestação) um nº 7: é um laboratório de superbactérias e pandemias nunca antes vistas e dificilmente controláveis. (7)

Seguem links da Avaaz com os relatos disponíveis até agora (1 a 6) e um link para o dossier da ONGA portuguesa GAIA (8).

P.s. numa nota positiva: agora já se pode tornar vegetarian@ sem ter que aturar comentários do género "as plantas também sofrem". Basta citar dois ou três argumentos da lista acima..
 
(1) Reports on the link between the Mexican factory farm and the flu:
The Independent 
LA Times 
Scientific American

(2) 
WHO pandemic information
WHO report

(3) 
FAO report and CIWF press release citing European Commission Study on the risks of industrial farming
FAO and CIWF 

(4) 
CIWF and PETA video reports of the disgusting conditions for animals in factory farms and the disease ridden manure swamps:
CIWF and PETA 

(5) 
Reports on Smithfield's animal welfare and environmental damage
The Independent 
Food & Water Watch 
Avaaz Report 

(6)
Reports on UK tax payers subsidising factory farms

(7) O rol de queixas contra a indústria de carne

(8) Dossier GAIA: "Gripe suína: um olhar para além da pandemia"
A gripe (João Vasconcelos Costa, virologista)
As origens genéticas do virus
 (Wikipedia / Lemonde.fr)
A gripe suína desvenda o monstruoso poder da indústria pecuária
 (Mike Davis, professor de História)
O nome da gripe é Smithfield Foods
 (Cristóvão Feil)
Gripe suína: uma aliança suspeita entre a agro-indústria e as farmacêuticas 
(Gualter Barbas Baptista, GAIA)
O lucro, outra epidemia que avança
 (Silvia Ribeiro, investigadora do ETC, México)
Face à gripe, um compromisso dos camponeses
 (Gustavo Duch, presidente dos Veterinarios Sin Fronteras)
A gripe suína na comunicação social corporativa
 (ligações externas)


segunda-feira, 27 de abril de 2009

Hortas urbanas em Lisboa: uma cidade ao reencontro da sua ruralidade


A Horta Popular da Calçada do Monte dá a cara pela causa das hortas urbanas e uma agricultura local e sustentável.




Governos, Agricultores e Sociedade Civil reunidos na Suíça


MORATÓRIA AOS TRANSGÉNICOS PARA TODA A EUROPA

Cerca de 300 representantes governamentais, cientistas, associações de agricultores e de consumidores, e numerosas organizações ambientalistas, de quatro continentes, denunciaram este fim de semana o escândalo da violação do direito à escolha na produção e consumo de alimentos. Portugal marcou presença através de elementos da Plataforma Transgénicos Fora, Quercus e Gaia.

Perante o aumento do número de regiões livres de transgénicos em toda a Europa (são já cerca de 190, incluindo duas em Portugal), e considerando que seis Estados Membros* já proibiram a nível nacional o único milho transgénico autorizado para cultivo na União Europeia (e mais dois têm moratórias de facto), os participantes reunidos em Lucerna, Suíça, na conferência Food and Democracy** exigiram a criação de uma moratória europeia ao cultivo e aprovação de novas variedades de transgénicos.


Nos trabalhos de sexta-feira, dia 24, a presidente do Conselho Nacional helvético anunciou a extensão da moratória de cinco anos - decidida neste país por referendo nacional - por mais três anos, até 2013, dados os benefícios que tem trazido à agricultura suíça. Também a ministra escocesa da agricultura lembrou nesta conferência que a visão do seu governo é apostar na diferenciação, na qualidade e nos nichos de mercado com valor acrescentado, ao mesmo tempo que bloqueiam a penetração de transgénicos: "Sabemos muito pouco acerca das consequências de longo prazo dos cultivos transgénicos. Arriscar com o nosso ambiente natural é irresponsável e indefensável. Ele traz anualmente 17 milhões de libras à nossa economia, e não nos podemos dar ao luxo de arriscar em tecnologias sem garantias de segurança."

De notar que a proibição mais recente, a do governo alemão, se baseia no elevado impacto ambiental destas culturas, considerado cientificamente demonstrado. Estas proibições de vários Estados Membros foram recentemente apoiadas por uma expressiva votação no Conselho Europeu de Ambiente, que Portugal também apoiou.

Apesar destes sinais positivos, ainda há seis países que cultivam transgénicos na União Europeia. Portugal é um deles, e o segundo mais importante em termos de percentagem da área total cultivada com milho. Na Espanha, o país que lidera o cultivo transgénico europeu, milhares de pessoas juntaram-se há uma semana em Saragoça para pedir o fim desse milho em todo o Estado espanhol.

A produção com transgénicos ocorre à revelia da opinião da maioria da população europeia que, tal como foi referido pela ex-ministra alemã da agricultura, Renata Künast, também presente, "tem cada vez menos direito à escolha." Esse direito de optar desapareceu devido ao controlo das sementes através de patentes, à ausência de rotulagem em produtos animais, à contaminação irreversível e generalizada da cadeia alimentar e à falta de aplicação do princípio da subsidiariedade no que toca à auto-declaração de mais de cinco mil autarquias como livres de transgénicos.

Em Portugal os cidadãos e agricultores continuam a não ter o direito, estabelecido por lei, reiterado pela Comissão de Acesso aos Dados Pessoais e reafirmado numa decisão do Tribunal Europeu, de conhecer as localizações dos terrenos onde se cultiva o milho transgénico MON 810. Pelo contrário, o governo português continua a fazer dos agricultores e consumidores portugueses meras cobaias indefesas. Está na altura de perguntar porquê.

O texto completo da Declaração de Lucerna está disponível na página da Plataforma Transgénicos Fora.**

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* Há seis países com proibições através da cláusula de salvaguarda: Áustria, França, Alemanha, Luxemburgo, Hungria e Grécia. Há dois países com outros tipos de proibição: Itália e Polónia.
** Ver em www.stopogm.net
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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Hoje é Dia da Terra!


Para sinalizar este Dia da Terra a Greenpeace lançou o video "Inspirar para agir" com o objectivo de juntar três milhões de activistas na luta para proteger este planeta frágil (e no processo também preservar a espécie humana, porventura bem mais frágil..).

Se ainda não sentiste o tal chamamento, pode ser que estas imagens te convençam :-)



Happy Earth Day to all Earthlings!

p.s. já agora, pede aos líderes dos maiores países para aparecerem na cimeira do clima em Copenhagen aki

..and off to Lucerne


..for the 5th European conference on GMO-free regions.



This is a crucial time for all those hesitant about genetically modified organisms. The moratorium on GMO crops in Europe has been lifted and the oligopoly on biotech foods is beating down the doors to quickly get their frankenstein creations approved before someone (or too many someones) realise GMO spells disaster. Brussels is taking a number of crucial decisions as we speak. All the while more countries are joining the ranks of those banning GMO, the most recent one being Germany. Read more about what's going down and help stop the crop here and here (PT).

More on this when I get back from GMO-free Switzerland :-)



I'm back :-)




domingo, 29 de março de 2009

Increasing the footprint aka the guilty traveller

1


2


3


4


5


= :-))

+

=
1.906 kg CO2, equivalente a 8.099 kWh ou 16 lâmpadas de 60 W acesas durante um ano inteiro, toda a energia contida na comida consumida por oito pessoas num ano ou ainda a quantidade de carbono contida numa árvore com 17 mt de altura. Também toda a minha quota de carbono 'autorizada' por 1,3 anos se uma meta de redução de emissões por 60% face aos valores de 1995 já estivesse em vigor. E se o fuel fosse taxado com ISP como o petróleo, a viagem deveria custar uns adicionais 500 euros..

= :-((


sexta-feira, 27 de março de 2009

Dia da mobilidade suave: uma ciclostória para menores de 18 anos



Claro que cada dia deveria ser um dia de mobilidade suave, mas para quem vive na hegemonia do automóvel particular, esta opção não é tão livre como possa parecer. Para andar com segurança em Lisboa a pé, de bicicleta ou com outro meio de transporte 'slow', é preciso ter coragem e não se importar de ter que educar os transeúntes menos sensibilizados.

Para ajudar à tarefa, eu e a minha filha instituímos desde hoje um dia mensal da mobilidade suave. Será a última sexta-feira de cada mês, coincidindo com as bicicletadas da Massa Crítica. De manhã percorremos os cerca de 11 km até à escola em Monsanto, onde deixo as biclas para fazer a minha vida de metro. Ao fim da tarde pegamos novamente nas biclas e descemos até ao Marquês de Pombal para nos juntarmos ao pessoal da Massa Crítica e dar mais uma volta por Lisboa.

Para esta iniciativa ser verdadeiramente pedagógica, andamos mesmo pelas artérias da cidade, a minha filha à frente e eu atrás, a dar instruções.

Hoje a ida não correu nada mal, tirando um ou outro carro que teimava em acelerar e apitar, protestando a nossa ocupação da via. Outros abrandavam, com mais paciência e alguma curiosidade e deixavam nos seguir à frente deles, o que levava a algumas reclamações mais atrás.. Uma vez que traçámos um percurso o mais plano possível no Google maps, a maior subida que enfrentámos foi a do Parque Eduardo VII, que apesar do esforço oferece um belo passeio. Até descobrimos uns novos caminhos por parques simpáticos e para nosso grande alívio a parte complicada, em Sete Rios, já foi resolvida: a ciclovia está a avançar depressa e já não precisamos de navegar nos nós das vias rápidas.

A volta foi mais dura, pois chegámos tarde ao Marquês de Pombal e a caravana de ciclistas já tinha desaparecido em direcção à Fontes Pereira de Melo. Enchémo-nos de coragem e fomos à procura deles, com carros, táxis e autocarros a orbitar em grande número à nossa volta (isto às 7 da tarde..). A minha filha foi uma verdadeira heroína, ia à minha frente com lágrimas nos olhos, assustada com tanta motorização e já muito cansada, mas sem reclamar. Quando percebi pelos olhares dos peões que já estava a abusar da energia da Ava, cortámos para Mártires da Pátria e fomos para casa, sem mais problemas.

Para que nada falhe (como hoje) nestes dias de mobilidade suave, em breve vou ser a estreante de um curso de formação em condução de bicicleta destinado especialmente a mães/pais com filhos, organizado pela Cenas a Pedal. Vai ser extremamente útil para capacitar pais hesitantes para andar com segurança com os seus filhos na cidade.

Vamos ver se conseguimos encher estas ruas cansadas de Lisboa com uma variedade mais colorida de utentes ciclistas!


Tirem os carros de cima dos passeios!



A iniciativa do autocolante de protesto contra a ocupação selvagem do espaço público pelos automóveis já chegou a Lisboa.

Os automobilistas que estacionarem em cima do passeio, ou em passadeiras, na cidade de Lisboa, poderão vir a ter que retirar do pára-brisas do seu carro uma reclamação em forma de autocolante que pede ao infractor que “Não Pense Só No Seu Umbigo” e que “Respeite os Peões”.

A iniciativa partiu de um grupo de pessoas preocupadas em sensibilizar os automobilistas para que não estacionem em cima dos passeios e passadeiras, danificando o espaço público e obstruindo a livre circulação dos peões, dificultando a vida em particular a pessoas com cadeiras de rodas, carrinhos de bébé, idosos e outras pessoas de mobilidade reduzida.

Pretende ainda chamar a atenção para a inércia das autoridades competentes em combater o flagelo do estacionamento selvagem e garantir aos peões um espaço de circulação digno.

O novo movimento em prol da vi(d)a pública imprimiu alguns milhares de autocolantes que serão distribuidos para serem colados nos vidros dos automóveis que forem encontrados estacionados em situação irregular.

Os autocolantes fazem referência à página de internet Passeio Livre , um blog que colecciona postais de uma cidade que não queremos, com dezenas de fotografias de carros mal estacionados em cima de passeios e passadeiras.

Nesta página os visitantes são convidados a participar e deixar fotos e opinião sobre a forma como o estacionamento selvagem lhes dificulta a vida.

Poderá ainda ser descarregado o autocolante oficial da campanha, sendo a ideia que mais cidadãos o possam imprimir e juntar-se a este movimento para desentupir a cidade.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Participa na Consulta Pública: diz não a mais experiências transgénicas!

A presente carta, redigida pela Plataforma Transgénicos Fora, informa sobre os riscos dos ensaios com novas variedades de transgénicos quando anteriores ainda estão a decorrer, sem qualquer acautelamento das implicações para o ambiente e os seres vivos, estes últimos reduzidos a cobaias indefesas de uma tecnologia perigosa.

Se também achas os riscos inaceitáveis, copia a carta e envia-a até 3 de Abril para: cpogm@apambiente.pt

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Assunto: Consulta pública B/PT/09/01 sobre os ensaios da Monsanto

Venho pela presente apresentar a minha total oposição à realização dos ensaios com milho transgénico NK603 da empresa Monsanto, tanto em Salvaterra de Magos como em Évora.

As razões são muitas, e profundas. Os europeus em geral e os portugueses em particular são maioritariamente contra alimentos transgénicos por sentirem que não são seguros e representam uma alteração irreversível da nossa relação com a alimentação, pelo que não faz sentido permitir testes cujo objectivo é conduzir a mais autorizações para cultivo.

Este milho transgénico que a Monsanto pretende testar e, posteriormente, cultivar, é tolerante ao herbicida glifosato. Isso vai conduzir a uma maior utilização deste químico que, em estudos recentes de Séralini et al. (Arch. Environ. Contam. Toxicol. 53:126-133 (2007); Chem. Res. Toxicol. 22:97-105 (2009)), se verificou ser um desregulador hormonal, para além de induzir directamente a morte celular em células humanas.

O cultivo de variedades resistentes a herbicidas também tem sistematicamente induzido o aparecimento de ervas daninhas resistentes aos mesmos herbicidas. Isto conduz a um círculo vicioso onde se torna necessário aplicar cada vez mais produtos, em misturas cada vez mais potentes, e que leva a agricultura na direcção oposta à sustentabilidade, equilíbrio ecológico, e valor alimentar. Essa não é a agricultura que Portugal precisa ou que os portugueses procuram.

Não se compreende que o Ministério do Ambiente possa autorizar ensaios com fins agronómicos quando a avaliação europeia do ponto de vista da segurança ambiental ainda está a decorrer.
Enquanto não houver garantias quanto à sua inocuidade ecológica, este milho não deve ser libertado para qualquer outro objectivo. Aliás, a Directiva 2001/18 sobre libertação de transgénicos determina especificamente que as autorizações só pode acontecer "por etapas", e apenas na medida em que a etapa anterior tenha demonstrado a necessária segurança. Começar com testes para outros fins corresponde a pôr o carro à frente dos bois.

A falta de ciência e de provas no tocante à biossegurança deste milho é ainda mais evidente quando se analisa a notificação em consulta pública. O capítulo sobre o potencial de impacto ambiental, em particular quanto aos outros seres vivos do ecossistema, é notável pela total ausência de referências: não há estudos, não há artigos científicos, não há absolutamente nada.
Todas as afirmações que pretendem garantir segurança são feitas com base ou na intuição, ou na fé. Além disso, a Monsanto assume que a ausência de provas corresponde à prova de ausência de riscos. Mas tudo isso é anti-científico e ilegal. A Monsanto é obrigada a demonstrar inequivocamente a segurança ambiental do NK603, e não o faz. Bastaria esta razão para vincular desde já o Ministério do Ambiente a uma negação da autorização para os ensaios.

Na verdade, a própria consulta pública corre o risco de ser ilegal. De facto, é-me pedido que colabore na avaliação ambiental de uma cultura transgénica que, além do glifosato, vai ser submetida a outros herbicidas - pelo menos alguns dos quais não estão registados em Portugal - mas não é referido quais são esses químicos. Não é pois possível uma análise adequada do real impacto envolvido enquanto não for fornecida a formulação detalhada dos compostos envolvidos: tanto do princípio activo quanto dos adjuvantes.

Aguardo assim a divulgação destes dados e solicito que o prazo da consulta seja suspenso enquanto tal não acontecer.

Muitas outras questões se colocam face a este pedido de ensaios. Por exemplo, não está acautelada a coexistência dos campos de NK603 com apicultura e abelhas - as quais nem sequer são referidas na notificação. Conforme está amplamente demonstrado na literatura científica, estes insectos podem recolher pólen a mais de 5 km de distância e transportá-lo para a colmeia. Este depois vai aparecer no mel e em produtos contendo pólen à venda comercialmente. No entanto a autorização em vigor na União Europeia apenas respeita ao consumo dos grãos de milho NK603, e não ao seu pólen, pelo que a realização destes ensaios pode conduzir a ilegalidades incontroláveis. Novamente a única via que resta ao Ministério do Ambiente é a do cancelamento dos ensaios.

Assim, e considerando,
- a oposição generalizada dos consumidores,
- o padrão de insustentabilidade, contaminação de culturas vizinhas, e aparecimento de pragas resistentes e de pragas secundárias que o cultivo de milho transgénico implica,
- a incapacidade da Monsanto de apresentar provas científicas de segurança e de considerar as implicações da inevitável presença das abelhas, e
- a falta de informações indispensáveis a uma correcta avaliação deste programa de ensaios, conclui-se que o Ministério do Ambiente tem de assumir as suas responsabilidades legais e negar autorização para estes ensaios.

Com os melhores cumprimentos,

|NOME|
|BI|

terça-feira, 10 de março de 2009

Bail Out The Planet! Protesto Greenpeace em Bruxelas




Há poucas horas atrás cerca de 300 activistas da Greenpeace bloquearam a entrada do edifício principal da União Europeia onde os ministros Europeus das Finanças estão reunidos em conselho. O objectivo era de manter os políticos na reunião até estarem dispostos a aplicar as mesmas medidas ao resgate do planeta como têm concedido aos bancos falidos. O conselho Ecofin está a decidir o financiamento a conceder a países desenvolvidos para lidar com as alterações climáticas.

Neste momento a polícia prendeu todos os activistas menos um, com alguma agressividade, provavelmente nervosa porque ao mesmo tempo está a decorrer um comício para libertar o Tibet.

Fotos, Twitter e Imprensa:

Tweets
Notícia AFP
Fotos da acção e da detenção de 300 (!!) activistas
Updates no blog da Greenpeace

quarta-feira, 4 de março de 2009

Guerrilla seeding 7 de Março na Horta popular da Graça

7 de Março, 15 horas, Horta popular da Graça

(Cruzamento Damasceno Monteiro com Calçada do Monte)

Oficina "faz-tu-mesmo" para fabricar bombinhas de sementes de várias formas e feitios. Oportunidade de seguida para semear terrenos baldios, 'castanhos' ou simplesmente tristes nas zonas circundantes.

Traz umas sementes (de arbustos ou árvores, de plantas ou então sementes caseiras que sobraram da tua comida!) e umas formas se as tiveres. Nós fornecemos a argila/terra e as instruções. Ideias para bombinhas originais bem-vindas e encorajadas :-))



Mais sobre esta prática: seed bombing

Organização: Centro Social da Mouraria / Gaia

terça-feira, 3 de março de 2009

A cavalo, a pé, de bicicleta... por uma Europa livre de transgénicos

Relato da Marcha de Arronches a Portalegre com a Vita Activa - 28 Fev/1 Março




Durante duas semanas Portugal contou com a presença colorida dos alemães Markus e Maria, da iniciativa "Vita Activa".

Este casal carismático iniciou há 7 meses uma peregrinação de 8.000 km pela Europa, numa carruagem antiga puxada por dois lindos cavalos irlandeses. O objectivo da sua longa e certamente difícil viagem é de alertar os europeus para os perigos da biotecnologia e da agricultura intensiva e para promover as vantagens de uma agricultura biológica e biodinâmica. Proficientes na vida ‘slow and simple’, Markus e Maria não andam mais de 15 km por dia para poupar os cavalos (que no entanto estão habituados a puxar carruagens e a viajar) e dormem na carruagem em terrenos emprestados. Grande parte do dia é dedicado aos cuidados dos cavalos e da cadela Fiona que também os acompanha nesta viagem. O resto do tempo é reservado para sensibilizar todas as pessoas com quem cruzam caminho para a sua causa. Não se trata propriamente de férias no Sul Ensolarado..

Estes corajosos viajantes em missão foram acolhidos na fronteira de Espanha/Portugal pela Plataforma Transgénicos Fora que organizou um percurso por Campo Maior, Elvas, S. Vicente, Arronches, Portalegre, Nisa, Vila Velha de Ródão, Castelo Branco e Monfortinho. Em cada local houve contacto com a população em escolas, mercados e praças principais, numa interacção pessoal em muito facilitada pela curiosidade que desperta uma embaixada tão original.

Durante uma parte do itinerário em terras lusas, a caravana cresceu com voluntários do Gaia e da Quercus, membros da Plataforma Transgénicos Fora, que vieram percorrer os cerca de 24 km de Arronches a Portalegre, por entre uma paisagem de montado de sobro e azinho, característica desta região do Alto Alentejo. Fieis à temática e porque a caravana se encontrava no distrito dos contestados campos de ensaio com milho transgénico (A outrora Zona Livre de OGM Monforte..), os peregrinos de ocasião indumentaram-se de camponês/a, mulher-milho transgénico e com fatos anti-contaminação e nem a chuva persistente conseguiu esfriar os ânimos! A meio do trajecto a caravana bivacou numa das muitas casas de cantoneiro abandonadas, onde uma cozinha e fogueira improvisadas aqueceram corpo e alma e onde havia relva em abundância para o Paddy e o Mark. Pedimos desculpa às andorinhas e ao casal de cegonhas que foram temporariamente afugentados dos seus ninhos (mas asseguro que todos voltaram o minuto depois de termos abandonado o local).

Entre aguaceiros e abertas a caravana chegou a Portalegre no Domingo, enfrentando um último desafio antes de poder conversar amenamente com jornalistas e curiosos: empurrar a carruagem para o alto da vila a 477 m.. Para os vagamundos de ocasião o repto terminou aí, e regressaram para as suas casas com a promessa de um duche quente e um sofá fofinho. Mas os verdadeiros peregrinos ainda enfrentam 8 meses e 4.000 km por uma Europa livre de transgénicos. Aqui vão, mais uma vez, os nossos desejos de uma viagem suave e segura para Markus, Maria, Paddy, Mark e Fiona. Guten Reis!

Alguns links:
Ver site Vita Activa
Notícia Lusa no Público 27/2
Notícia na Reconquista - Castelo Branco
Reportagem na Antena 3 - programa Terra à Vista
Reportagem na RTP1 (aos 34 minutos)

Testemunho do Cientista Amordaçado

Na nossa actual sociedade de desinformação as poucas notícias a revelar o que se está a passar por detrás da fachada são preciosidades que merecem ampla divulgação. Aqui vai a denúncia por cientistas independentes das práticas de encobrimento das poderosas empresas que controlam as sementes (transgénicas e tradicionais). Apesar de correrem um sério risco de perder o seu financiamento e até o seu emprego, razão pela qual não existem praticamente estudos sobre os efeitos negativos dos transgénicos, resolveram vir a público. Bravo!

Duas notas a reter:
1. As patentes sobre as sementes e respectivas culturas são a grande arma das empresas Biotech, permitem-nas efectivamente não só controlar o mercado como manter refém toda a sociedade! Simplesmente incluem nos contratos a proibição de cultivar OGM para efeitos de pesquisa.. Muito bom, não? É uma versão mais perigosa da ameaça velada dos produtores de equipamento electrônico: se o utilizador se atrever a abrir o equipamento para espreitar lá dentro, perde imediatamente a garantia..
2. O financiamento da pesquisa em agricultura vem maioritariamente de fontes privadas. Não é difícil imaginar as consequências..


Crop scientists say Biotechnology Seed companies are thwarting research

RESULTADO ACÇÃO RELÂMPAGO OGM: proposta da CE rejeitada!

Comunicado da Plataforma Transgénicos Fora:

Ontem teve lugar a votação no Conselho Europeu de Ambiente, com todos os ministros, e a proposta da Comissão Europeia de impedir a Áustria e a Hungria de proibirem o milho transgénico MON 810 nos seus países saiu derrotada! Eram precisos 255 votos num total de 345, e conseguiram-se 282. De salientar que Portugal também votou contra!
São previstas mais votações até ao Verão, mas esta já cá canta!

Parabéns ao ministro e parabéns a todos os que lhe mandaram emails a lembrar de que lado está a liberdade! Aparentemente só quatro países votaram a favor da proposta da Comissão Europeia: Reino Unido, Suécia, Finlândia e Holanda. Por isso continuem por favor a divulgar a campanha de emails no post anterior - temos pela frente mais votações que precisamos de ganhar! E lembrem-se: Portugal também vai poder proibir o MON 810 no seu território, basta querer! :-):-)

Para mostrar ao Ministro do Ambiente que só serve os interesses dos portugueses votando contra as propostas de liberalizar o MON810 em toda a Europa, desrespeitando as zonas livres de OGM e as propostas de aprovar mais variedades transgénicas controversas, por favor vá a STOPOGM

notícia no Público