terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Negócio da China: comece um jornal gratuito, mas diga que tem uma função sociológica

Os jornais gratuitos, depois de anos de avanço e recuo de diários regionais, foram tocados pelo milagre da multiplicação (quantitativa- e qualitativamente, pois já fiz o exercício de comparar 5 jornais gratuitos página a página.., mas quem é que descobriu este outro ovo de colombo de escrever uma vez e vender 5??) e invadiram as cidades com uma determinação que mete inveja a qualquer campanha de peditório. Não há como escapar à aculturação em 5 linhas de cada vez a que estes senhores pseudo-editores nos querem sujeitar para que as marcas lhes encham os bolsos. Nenhum cruzamento com o mínimo de afluência ou saída de metro ou comboio está a salvo dos jovens arautos do fastfood da leitura patrocinada, disformes nos seus fatos de bombeiros fluorescentes a arriscarem a vida saltando entre as filas de carros e esbofeteando os condutores com a sua “oferta” (não reclamo os coletes luminosos, sem eles tínhamos pelo menos uma baixa por dia).

O jornal, bem, vamos chamá-lo folhetim, é gratuito mas obviamente não é livre, para conseguir escapar a ele fisicamente são precisas manobras perigosas, por não falar no prejuízo cognitivo de consumir notícias de qualidade suspeita entrelaçadas com propaganda comercial. Só posso mesmo esboçar um sorriso amarelo quando ouço o director do Destak afirmar que “A imprensa gratuita tem, deste modo, uma função sociológica, que é a de criar hábitos de leitura".
Pelo amor de Deus, para além de já existir a Maria que ao menos tem o mérito de ensinar as domésticas a serem estrelas de porno em casa, não é concerteza com notícias escritas por um aluno do 4º ano que vamos levar os portugueses a ler Eça de Queiroz, pois não? De qualquer modo está provado (Piet Bakker e.o.) que a “leitura” de jornais gratuitos não influencia a leitura dos restantes jornais. Não aumenta, nem baixa. Não mexe na estatística. O único perigo dos jornais gratuitos é o facto de detrairem investimento publicitário aos jornais pagos, pois as tiragens são apetitosas. Mas são-no porque a maioria acaba no lixo ou no chão. Quem é que controla onde os folhetins páram? É só livrarem-se de cerca de 100.000 exemplares por dia e abracadabra! o nosso jornal é um sucesso, Sr Nestlé, é lido um pouco por toda a cidade.. Nada impede estes senhores de começar a distribuir 200.000 exemplares cada por dia e reclamar vitória e a fatia correspondente do bolo da receita publicitária. Tantos anos a ensinar os portugueses a poupar e reciclar papel para agora enfrentarmos uma contra-campanha sem precedentes com meio milhão de folhetins que ninguém pediu para o lixo todos os dias.

Não sendo uma praga que se limita a Portugal (deitando por terra os argumentos sociológicos), noutros países os cidadãos já se começaram a revoltar: Os hilariantes Space Hijackers arranjaram uma solução que impingiram ao público londrino com exactamente as mesmas tácticas usadas pelos grupos sobejamente ditos editoriais e que vale a pena ver.

Apesar de acreditar na virtude de uma acção semelhante em Portugal, tenho também umas tácticas mais simples de combate ao folhetim gratuito e que passo a partilhar.

Para os menos atrevidos:
- Fechar bem as janelas do carro para evitar que nos atirem o folhetim para dentro. No verão talvez colocar umas redes de mosquito nas janelas para quem não tem AC.
- Para quem anda de transportes: enfiar as duas mãos firmemente nos bolsos e sorrir apologeticamente.
- A táctica de “fingir que não viu” funciona também para ambas as situações.
Para os mais atrevidos:
- Dizer “não, NEM pensar, QUE horror” muito alto quando nos tentam impingir um folhetim.
- Aceitar não um, mas uma resma inteira de folhetins e entregá-los aos seus donos. Todos os dias..
- Andar com um “button” com o lema “publicidade não endereçada, não obrigado”.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

The human crisis: Sustainability science for global survival

A new form of science is emerging that draws on the original meaning of the term: scientia – knowledge of structure, laws and operations through observation, common sense and intuition and welcomes back the discipline of philosophy from which it originated.
Prof. Timothy O’Riordan, one of the proponents of sustainability science, spoke at the Gulbenkian Foundation on February 19 before a surprisingly large and motivated audience.

Sustainability science is all about going back to our metaphysical roots, and going way beyond so-called conventional science and the technology that develops from it. Tim O’Riordan uses a language any scientist would shrink from. He starts by postulating that we are living not an environmental crisis, which we are trying half-heartedly to solve using technology and market-mechanisms, but a HUMAN crisis. Our planet is resilient. No matter what catastrophy, our planet will recuperate given a couple of million years.. But we now have the capacity to irrevocably transform our planet on a scale and within a timeframe that nature has never seen. Strangely, we also know what to do about it..
We’re living in what has been coined the anthropocene era. It’s all about us, humans. We have increased the carbon concentration in the atmosphere by 50% in little over a century and can and probably will repeat the feat in less than half a century. We have introduced POP’s, persistent organic particles, into our air, and have no idea how profound the consequences might be on our health, but are seeing its effects already: asthmatic children and other respiratory illnesses are a norm in cities. We are aware of climate tipping-points, such as the dying back of the boreal forest, the melting of permafrost, the melting of icesheets and the change in the circulation of oceans, which can provoke a step-change - a non-linear, unpredictable modification of the planet’s equilibrium - but have no idea when and how this might exactly occur nor have a real inkling of the interaction of several tipping points. Quite simply, nothing on this scale has occurred in our planet’s past. High-quality modelling has become the latest science and the models tell us we are going to see increasing species extinction, economic migration, scarcity, social tension, inflation, evacuation from coastal areas and the list goes on. This sounds so catastrophic that the only response could be profound change. But change upsets our comfortable lives, at least in the West, and therefore we prefer to challenge science, even in 2008, after all that’s been said, observed and proven. We are being extremely selfish and focus only on short-term decisionmaking (which is what gets politicians votes).

Sustainability science proposes to open a dialogue, based on commitment and companionship, not just partnership, between science, the public, private entreprise and politicians and work with longterm scenarios through adaptive learning that reconnects us with nature and a balanced community. We need global governance which is at once public, private and civil, linking bodies such as UNDP/UNEP and the Security Council with global sustainablity action plans to national and local networks of governing with local action plans. We need to reclaim the public domain and common knowledge, embedding folk knowledge back into scientific knowledge. We would do well to redefine prosperity and well-being: instead of focusing on GDP increases and short-term profitmaking we should look to improving self-esteem, building capacity allround and reclaiming slow time (balancing life-work and even embracing spirituality). We can make the sustainability transition if we stimulate creative evolution, companionship, virtue and justice, accept our responsibility and accountability to self and others and govern cooperatively between governments and citizens.

Is this sounding to you like the sermon of an engaged priest? Well, it comes from a scientist with more than 20 years of investigative experience and the author of “environmental science for environmental management”. And he’s not alone. Something very serious must be going on for reputable and widely published scientists to go on a limb and tell us to embrace virtue. I’m listening. The message is: for a human crisis a human solution. We cannot delegate our responsibility to politicians, scientists and corporations. All humans need to step up and redesign our world.
You can start small, by looking at your neighbourhood and see what you can improve, then move up to joining groups of citizens and finally, soon enough, these groups will link to others and promote global change. Don't wait too long, though!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Retomar o território do conhecimento: O Banco do Conhecimento Comum


Proclamámos esta nossa era com pompa e orgulho a sociedade da informação. No entanto estamos a fechar os nossos conhecimentos em copyrights e patentes, sujeitos ao reconhecimento científico convencional, exigências de diplomas prévios ou de software proprietário e afixamos-lhes etiquetas de preço. Estamos a assistir à formatação da informação segundo as regras de uns “happy few” com alvará e ao condicionamento não só do seu acesso como da sua divulgação. Mesmo a Net, o suposto instrumento livre para produzir e obter conteúdos, está a ser retalhada aos poucos, os seus espaços controlados e a sua utilização dependente de condições económicas e tecnológicas vedadas ainda a 90% da população mundial.

Esta crescente privatização da informação leva-nos a perder a nossa autonomia e torna-nos dependentes de especialistas para praticamente todos os serviços. Quem ainda sabe cortar cabelo, fazer pão (sem Bimbi), plantar um jardim, arranjar a sua roupa ou revestir o seu sofá? Quem, tirando uns cromos dedicados, sabe tirar partido do seu computador sem ter de comprar programas patenteados e captivos? Quem hoje está a par dos seus direitos fundamentais sem ter de contratar um advogado? Quem ainda consegue evitar uma ida ao médico, recorrendo a remédios tradicionais ou os preceitos de uma alimentação saudável? E quem se lembra de como fazer exercício sem ter de se inscrever num ginásio franchisado? A maioria dos conhecimentos que no tempo dos nossos avós eram passados de mãe para filha, pai para filho, foram profissionalizados, especializados e regulamentados. Já é praticamente ilegal produzir e distribuir produtos e remédios caseiros pois não obedecem às regras rígidas estabelecidas. O fastfood, este sim, tem alvará, mas o doce caseiro da Mãe Terra só pode ser vendido a amigos num raio de 20 km. E em breve as queijarias tradicionais terão de fechar ou aceitar aplicar métodos industriais e normas de higiene histéricas. Adeus, queijo da serra.

Mas se voltassemos a “aprender a aprender” podíamos reconquistar este espaço público virtual que são os conhecimentos. Foi com este espírito que o Banco do Conhecimento Comum, uma iniciativa catalã, se instalou 5 dias em Lisboa no âmbito do evento “Inspired Lisbon” para ensinar o modelo desenvolvido pela Platoniq para recuperar e partilhar conhecimentos com o objectivo de voltar a autonomizar os cidadãos.

O BCC pretende devolver o conhecimento aos cidadãos, seguindo a lógica do “open source” no software e com licenças “copyleft” (all wrongs reversed..).
Mais do que compilar um repositório gigante de sabedorias, o objectivo da iniciativa BCC é sobretudo investigar os mecanismos sociais para a produção colectiva de conteúdos, a educação mútua e a participação dos cidadãos: criando as redes e plataformas de partilha de conhecimentos, dinamizando os cidadãos para que se juntem para reclamar o conhecimento como um bem comum. Em vez de um banco, a ideia é ter muitos, localmente adaptados, e experimentar uma variedade de formas de produção e distribuição de conteúdos, reinventando os papéis de quem produz e de quem consome, dos experts e amadores, dos professores e estudantes, criando também novas relações entre a produção de imagem, texto e audio e a sua difusão no espaço público.

A experiência em Lisboa resultou no primeiro Mercado do Conhecimento Comum no Domingo passado, onde 21 participantes e uma centena de visitantes reinventaram a troca, partilha e passagem de conhecimentos, alguns perdidos, outros desvalorizados, outros ainda em construção, eliminando as hierarquias e as convenções, e de preferência também a dependência de ferramentas tecnológicas. Foram partilhadas tácticas de activismo social e experiências de vida, apresentados projectos criativos e socio-culturais, lançadas ideias provocantes para além de dicas práticas e dinamizou-se um grupo de trabalho para falar de como desenvolver um projecto cultural.

O que distingue este Mercado das habituais conferências ou workshops foi o facto de estar inteiramente sustentado na criação e exploração de redes de contactos e na acção voluntária de todos os envolvidos, para além de ter sido organizado em apenas 3 dias. Foi um exemplo bonito da capacidade dos cidadãos de se mobilizarem e aderirem a novos formatos sociais.

Fica aqui o convite a todos os interessados para se ligarem uns aos outros e a nós, os primeiros voluntários cobaias, para continuarmos a promover o conhecimento comum. Se informação é poder, o Banco do Conhecimento Comum é uma forma de resgatar este poder e empoderar a todos sem excepção.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O (último) momento de glória dos néo-cépticos das alterações climáticas

From: lanka horstink Mailed-By: gmail.com
To: cartas@expresso.pt, hmonteiro@expresso.pt
Resposta aos artigos "debate a quente" e "Não estamos à beira de qualquer catástrofe", sábado 9 de Fevereiro 2007

Diz-se que 2004 foi o ano em que o aquecimento global (propositadamente e com sucesso rebaptizado de alterações climáticas pelos americanos, de forma a intimidar menos) ganhou respeito. Para o público em geral talvez tenha sido 2006 com o filme do Al Gore. No entanto, enquanto algum trabalho sério está a ser empreendido por alguns países ou grupos de países, e enquanto as indústrias se preparam para lidar com um carbono mais caro, e ainda na face de transformações óbvias do nosso planeta, ainda aparecem nos jornais personagens isoladas a clamar que o debate científico não está fechado. E apesar de se tratar de uma minoria com motivações obscuras, estão a receber um peso igual nos media, confundindo seriamente a opinião pública.
Estaremos cansados de ouvir falar nos impactos dramáticos do aquecimento global? Custa-nos a engolir que a base da nossa economia desde a última revolução industrial, o petróleo abundante e barato, seja também a causa de profundas modificações no clima e condições de vida do planeta? Será que o Gore ao simplificar um problema complexo e intangível para a maioria de nós, fez um disserviço à causa?

Invertendo completamente a realidade, os néo-cépticos, figuras vagamente ligadas à comunidade científica e que no passado por vezes advogaram o contrário, falam numa conspiração para iludir o público de que as nossas acções causam impacto no clima e que isso terá consequências nefastas. Os media pegaram na deixa com voracidade, ao que atesta o artigo “debate a quente” que apareceu no Expresso sábado passado (com o seguinte bonus).
Por que será que professores catedráticos, sem investigação própria, que não participam em nenhum dos relatórios de relevo sobre o tema, estão a ser ouvidos? Provavelmente porque conscientemente escolhem os media para lançar um debate que é político, não científico. Se fosse científico publicavam estudos para serem revistos pelos seus colegas cientistas. E os media, iludíveis como o público, vão na conversa.

Ora, deixo-vos com esta palestra da Naomi Oreskes da USCD, pois a maneira como ela nos relembra do percurso da ciência na questão do aquecimento global é extremamente elucidativa e deixa poucas dúvidas: a ciência falou, e até já esperamos e vimos demais. O tempo de acção escasseia.

Resumindo aqui o argumento: o efeito dos gases de estufa foi descoberto em 1850. Ainda no século XIX Arrhenius prevê que a temperatura aumenta até 4.5º se a concentração de CO2 duplicar. Em 1957 Suess & Revelle afirmam que os humanos estão a conduzir uma experiência geofísica sem precedentes, pois estaríamos a libertar carbono armazenado durante centenas de milhões de anos. Ao aquecer a terra, mais carbono é libertado, dos oceanos, dos solos e futuramente dos subsolos permanentemente congelados (permafrost) que contêm centenas de gigatoneladas de carbono, o suficiente para duplicar a concentração de carbono actual. Nos anos ’60 conseguiram calcular a percentagem de carbono libertado que não era reabsorvido pelos oceanos: cerca de metade. O governo americano reconheceu o problema ainda nesta década. Nos anos ’70 saem mais previsões sobre o aumento e os efeitos da libertação de carbono: a comissão JASON calcula que a concentração de CO2 duplicará até 2035, que a terra aquecerá em média 2.4º e os pólos 4 a 5 vezes mais. Recentemente foi possível confirmar esta amplificação polar para o período de 2000-2005 (a média do aumento está em 0,6º, os pólos aqueceram 2,4º). Em 1979 um meta-estudo (Charney report) conclui que existe consenso sobre a causa antropogénica das alterações climáticas. Consenso em 1979! Foi o que levou à criação do IPCC em 1988.. E a um compromisso dos EUA para controlarem as emissões de GEE. Compromisso esse que ajudou a assinar a Convenção-quadro sobre alterações climáticas ainda em 1992.
Eis que paralelamente surge um movimento, minoritário mas com meios poderosos, para desacreditar a ciência, no princípio muito ligado ao programa espacial dos EUA e a guerra fria e subsequente necessidade sentida de manter o país focado na sua defesa e crescimento económico. Pode ter sido o que levou ao recuo dos EUA na ratificação do protocolo de Kyoto. A Naomi Oreskes identifica pelo menos uma fonte da controvérsia: o Marshall Institute, que apesar de ter cientistas de renome, não fazia nenhuma investigação. Limitava-se a debater nos media, e recorria a qualquer táctica para conseguir desestabilizar o consenso (incluindo ataques pessoais a cientistas), com os argumentos que já conhecemos: o vapor de água é o maior gas com efeito de estufa (sim, mas fica 1 a 6 dias na atmosfera.. o carbono entre 100 a 1000 anos..), não haverá prova de que os humanos provocaram o aquecimento, é variabilidade climática natural (com aumentos de 50% na concentração de carbono desde 1850?), não é catastrófico, basta adaptarmo-nos.. (a 12º de aquecimento nos pólos?).

A Naomi Oreskes conclui que há forte interesse em abafar a ciência pelos fundamentalistas do mercado livre, do laissez-faire. Afinal a energia está na base da actividade económica. Mas não nos podemos deixar enganar: este debate é político, e não científico, está no entanto a ser mascarado como científico, uma táctica antiquíssima de marketing proíbida por boas razões no actual código publicitário. O consenso científico existe: as previsões dos anos ’70 e ’80 e mesmo dos anos ’50 verificaram-se! Rogo-vos por isso, membros dos Media, para fazer como eu, mera leiga. Estudem o assunto, vejam múltiplas fontes, olhem para a história. É inaceitável ao fim de tantas décadas e de termos ouvido milhares de cientistas e perante um tema desta complexidade, ainda dar uma cobertura desmedida a pseudo-científicos.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Take back the land: Guerilla gardening

Não sendo um fenómeno novo, com motivações tão díspares como o colmatar de necessidades reais no caso de povos em países em desenvolvimento e fazer um statement contra o estado de degradação e mau ordenamento das nossas cidades no caso ocidental, o "guerilla gardening" está a ganhar adeptos cada vez mais jovens e cada vez mais qualificados. Vejam aki exemplos da transformação do betão para jardins luxuriantes.

O momento célebre do guerilla gardening (muito forte na Inglaterra) foi em 1996, quando uma comunidade "Pure Genius" nasceu num terreno abandonado da Guinness em Londres.

Não têm aí na vossa vizinhança uns cantinhos a suplicarem para serem transformados em ilhas de flores? Uns buracos de terra a pedir uma árvore? Se cada um plantasse umas flores, uma árvore, umas plantas exôticas, conseguem imaginar como isto transformaria Lisboa? Agora não se esqueçam de dar água! O Sá Fernandes agradece.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Dear Nokia

From: lanka horstink Mailed-By: gmail.com
To: press.services@nokia.com, birgit.josten-opladen@nokia.com, kari.tuutti@nokia.com, Nokia corporate communications, Nokia support discussions
Date: 7 Feb 2008 17:16
Subject: Dear Nokia

Dear Nokia

I’m writing to you because I recently managed to destroy my brandnew Nokia 5300. Instead of spiralling into a temporary consumer depression, cured the moment I’d decide to acquire my 11th mobile phone since 1997, I sat down to reflect on the model, Nokia and cell phones in general.

In respect to the model, the Nokia 5300 is a design fluke. Now sold at 100 euros in a perpetual promotional campaign in Portugal, where I live, it wouldn’t be worth more than about 10 if not for the carbon-offsets needed to compensate for its energy use.. Two months off the shelf, the battery needs to be recharged 2 or 3 times a day, regardless of use, the network is constantly unavailable and frequently messages are withheld at the central for some mysterious reason that none of the operators could explain (they simply told me to switch the phone on and off once in a while..). I verified these complaints with dozens of other users.
But despite being a design disaster, the 5300 is probably a commercial success. After all, it responds nicely to the need to rotate products as quickly as possible. Most consumers will not bother to insist on their 2-year warranty by law and simply move on to the latest hype. In Portugal alone, using a conservative estimate of phone-“upgrading” every 2 years (although 18 months, the length of the service contract, is more the norm), 4 to 5 million phones are discarded each year.. Worldwide we could be talking about 500 million phones a year! Safe to say, about 125 million of these are Nokia. And even if a fair percentage of the users in Europe hand in their old phone instead of tossing it in the bin (but not more than 10% of phones are actually recycled and maybe 0,5% reused), a bit of research shows us that 50 to 80% of this e-waste is dangerously disposed of (dumped, burned, preferably outside of Europe), releasing a.o. the following toxic materials into the environment: pvc, flame-retardants, phtalates, mercury, lead, cadmium, cobalt, nickel, copper and depleting resources such as gold, platinum, palladium, zinc and silver, not to forget coltan, the mining of which endangers mountain gorilla habitat in Congo.

Now, exploring your websites, I do come across your commitment to improving the environmental standards of your products, although clearly in step with stricter legislation (EPR and WEEE directives). Plus I need to delve deep into the “Corporate Responsibility” section, which is not exactly where consumers look. The pages designed to charm us into a new model actually kind of downplay the effects of mobile phones and mobile communication on society and the environment. So you’re working on it, but you don’t want to talk about it too much with your fans.

Before you send me a heap of papers proving that you’re seriously committed to sustainable products and manufacturing, I’ve read them. They date from the last few years: “Nokia strives to reduce the possible(?) harmful environmental impact of its products, services and operations over the entire product life cycle.”

This is why I think you’re going a bit slow for a world leader:
Why isn’t responsible cell phone use and recycling on your homepage? Why don’t we know who you hand the phones off to? Why don’t you have a program to refurbish “older” phones for donation or resale? Why doesn’t your packaging alert us to the composition of phones and the necessity to safely dispose of them? More importantly, why don’t your phones last? Recycle, sure, reuse preferably, but first of all reduce! The kind of statement I would like to see on your homepage would be the year you plan to have a zero-toxic waste, reusable, fully recyclable and add-on friendly product (meaning, instead of chucking an older model out, you could actually upgrade it for a fee), using fully standardized design (Now what’s with all those different chargers? Why aren’t the batteries interchangeable? Why the devil doesn’t my 2005 phone “talk” to my 2007 phone or even to my computer?)

I went back to using my 3-year old cell after having smashed the fateful 5300, and not suprisingly it’s actually better than the new model. Now let’s see if I can make it last until Nokia launches an ambitious and truly innovative plan to completely close the loop on one of the world’s most sold products.

Your potential fan
Lanka Horstink, Lisbon, Portugal

bonus: post nas Nokia Support Discussions

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Páscoa 2008: jejum de carbono..

Notícia apanhada pelo Mário Alves:

Church advocates carbon fast for Lent

Notícia do Guardian a dizer que a igreja de inglaterra está a sugerir aos seus fieis jejum. Mas não o tradicional... este ano é um jejum de carbono ...

<>The Church of England is urging people to cut down on carbon, rather than chocolate, for Lent this year.

Two senior bishops within the church are joining with development agency Tearfund in calling for a cut in personal carbon use for each of the 40 days of Lent, which begins tomorrow.

<>Chartres, the 132nd Bishop of London and the Church of England's third most senior figure after the Archbishops of Canterbury and York, has previously said that Christians have a moral duty to save the planet. In 2006 he pledged not to fly for a year, saying that "making selfish choices such as flying on holiday or buying a large car" were a "symptom of sin".