terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Série Slow down: slow down, cut the meat

O ano passado foi de abundância record na produção agrícola. No entanto, os preços dos principais cereais aumentaram brutalmente: o trigo duplicou, o milho aumentou 50% (e já tinha duplicado de 2006 para 2007), também o arroz subiu. The Economist aponta duas tendências que podem explicar este paradoxo: A procura de carne aumentou, sobretudo na China e na Índia com maior poder de compra e a procura de etanol a partir de milho cresceu exponencialmente. Façam a matemática: actualmente o gado ocupa 70% das terras agrícolas e come um terço dos nossos cereais (George Monbiot); o cereal necessário para produzir um depósito de combustível para um SUV alimentaria uma pessoa durante um ano.. (Worldchanging) Já há países em África onde os cereais são vendidos aos países desenvolvidos ansiosos por cumprirem os tectos nas emissões de carbono, enquanto a população tem que ser alimentada, ironicamente, pelas organizações destes mesmos países. Tanto a produção de carne como de etanol e outros biocombustíveis estão a ter efeitos devastadores e perversos no planeta: uma acelerada desflorestação, perda de biodiversidade (monoculturas), emissões crescentes resultantes do uso de fertilizantes (o nitrogénio tem 296 vezes a potência GEE do CO2) e uma especulação feroz à volta do cumprimento das metas de utilização de energias renováveis, que dá uma clara vantagem às grandes corporações (que detêm as patentes sobre os OGM).

O consumo de carne triplicou desde 1980 e é expectável que duplique até 2050. Um estudo elaborado nos EUA indica que as pessoas com menor poder de compra alocam o seu dinheiro à carne e comida processada de conveniência (mais barata, pois de qualidade inferior) em detrimento de alimentos frescos. E os alimentos frescos só vão aumentar ainda mais em preço. É uma espiral que necessita de ser quebrada urgentemente. Um bom passo seria reintroduzir a roda alimentar de há 100 anos atrás (antes de haver roda). Pouco tem a ver com a actual, mesmo que tenha sido melhorada (também, era um escândalo, a anterior roda foi criada pela indústria de leite e carne..). Na roda macrobiótica, no sítio das proteínas, estão as leguminosas esquecidas que podem ser alternadas com um pouco de carne e peixe. Os restantes lugares são ocupados por 50% de cereais, 25 a 30% de vegetais cozinhados e 5 a 10% de sopas variadas.

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