quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Os plásticos, como os diamantes, são para sempre..

From: lanka horstink Mailed-By: gmail.com
To: fpbalsemao@expresso.pt, hmonteiro@expresso.pt, cartas@expresso.pt

Exmo. Senhor Francisco Pinto Balsemão,

Por ocasião do 35º aniversário do Expresso, que congratulo, e na minha qualidade de leitora assídua, venho lançar-lhe, na sua qualidade de fundador do Expresso, um apelo urgente.

Como certamente é do seu conhecimento, os sacos de plástico são uma verdadeira praga na natureza e mesmo na cidade há várias décadas. O plástico é estimado levar até 200 anos a decompor-se no ambiente, e mesmo decomposto transforma-se em moléculas de plástico tóxicas e indestrutíveis, pelo que todo o plástico produzido desde a sua invenção ainda permanece maioritariamente na biosfera.

A onde? Em toda a cadeia alimentar, com efeitos só recentemente reconhecidos nomeadamente ao nível do funcionamento hormonal de animais e humanos. No centro do Pacífico onde existem verdadeiras ilhas de detritos de plástico, consideradas os maiores aterros do mundo (In: great pacific garbage patch e wikipedia, e.o.). Ainda nos mares os plásticos são responsáveis pela morte, a nível mundial, de 1 milhão de aves e cerca de 100.000 mamíferos marinhos, por ingestão ou estrangulamento (Estima-se que cerca de 95% das aves marinhas que habitem zonas costeiras muito povoadas, ingiram plástico numa base regular). Por fim em terra, onde os sacos de plástico descartados estão espalhados um pouco por todo o território, causando a morte de animais e aves, estragando a beleza visual da paisagem e entupindo sarjetas nas cidades, dando à costa nas praias. Ironicamente, muitos animais começaram a fazer as suas tocas e ninhos com plástico, numa adaptação cruel aos nossos modos de vida..

O Expresso tem hoje uma tiragem de cerca de 140.000 exemplares por semana. O saco de plástico oferecido acrescenta 7,28 milhões de sacos ao lixo produzido anualmente em Portugal, tendo em conta que o saco comprovadamente não é re-utilizado (e não tem sequer o selo Ponto Verde). Tive o cuidado de o pesar: 17 gramas. Assim, o Expresso produz 124 toneladas de plástico por ano, disseminado em lâminas finíssimas.

No âmbito da v. recente iniciativa "Mês do Ambiente" durante o qual o jornal foi CarbonoZero, e que certamente contribuiu para uma maior compreensão dos assuntos ecológicos, venho sugerir que o Expresso leve a iniciativa mais longe, substituindo (nomeadamente) os sacos de plástico por uma solução com menos impacto. Apresento algumas, por ordem de impacto:

1. oferecendo um saco de pano exclusivo do Expresso, para usar cada vez que se compra o Expresso.

2. usando uma cinta cruzada de papel reciclado.

3. fomentando a reciclagem (por via de uma taxa recuperável quando se entrega o saco).

4. ou no mínimo substituindo por um saco de papel (reciclado, o mais fino possível e se possível impresso com tintas amigas do ambiente, de notar que os sacos de papel também não são amigos do ambiente).

5. existem ainda outras alternativas como o bioplástico, cujos impactos no entanto ainda não foram suficientemente estudados.

2008 está a ser apontado por todos os "trendwatchers" como o ano em que o ambiente, e particularmente a questão da sustentabilidade, estará no topo da agenda de governos, empresas e público em geral. Para além de que será provavelmente um dos 10 anos mais quentes de que há registo. Virá portanto muito a propósito uma acção de mitigação do seu impacto ambiental por um jornal de referência e líder de opinião como o Expresso.


desde já muito agradecida,

Lanka Horstink

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