sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

A virgin green citizen’s modest new year’s resolutions list

Começo pela negativa. NÃO vou compensar (i.e. emissões de carbono) mesmo sendo a última moda verde. Nope, too easy, essa via tem a papinha toda feita na Net para os consumidores com sentimentos de culpa acrescentarem mais um one-stop-shopping ao seu extenso directório (compram um iphone -por sinal a Apple ainda não é verde -, depois compensam a correr, e, abracadabra, têm um iphone carbonozero!).

Vou mas é agarrar-me ao primeiro “R”: Reduzir. Acrescento o “R” de Reagir e , como não larguei a minha faceta epicuriana (esse é o verdadeiro desafio verde), vai também um “R” de Revigorar. Antes de fecharem a janela do browser horrorizados com o primeiro item na lista, quero deixar claro que já fui uma enorme consumista. Há itens que me vão custar. Mas neste momento eu sou o meu rebanho. Vou ter que começar comigo.

R de REDUZIR
• O pópó fica estacionado a menos que tenha pelo menos mais uma pessoa para levar ou que não consiga lá chegar sem mudar 3 vezes de transporte. E não, Costa, não fica no passeio ;)
• Não vou comprar “stuff” este ano. Tenho roupas fashion para me aguentar vários anos (e a boa notícia é: daki a nada estou na moda outra vez). Tenho jóias para 10 anos, mobiliário para 20, equipamento para entre 5 a 10 anos (vou ter que fazer petições contra as actualizações dos OS, mas o computador mudou assim tanto? Nah. Muito pouco. A tecnologia é a mesma, só enfiam mais pontinhos de metal num chip. O resto é fashion e software monopolista).
• Ler os jornais maioritariamente online ou então nos cafés que proporcionam esta leitura e iniciar uma troca de livros e cd’s com os amigos. “Swapping is the new shopping”.
• Apanhar a água que se perde quando aquecemos o duche.
• Ligar todos os aparelhos numa extensão com interruptor e desligar quando não preciso, para acabar com a energia escondida do standby.
• Comprar a comida sobretudo local e ao granel. Bem, e biológico.
• Nunca mais aceitar um único saco de plástico e explicar sempre porquê.. Os sacos que tenho em casa dão para o resto da vida. Levar sempre um saco comigo.
• E quando tiver reduzido, reutilizado e reparado até à exaustão, reciclo. E reciclo os políticos, já agora. Por uma política de cadeia de materiais “closed-loop”.

R de REAGIR
• Participar nas petições online e iniciar eu própria umas petições. Por uma ribeira que nos pertença, por comércio de rua, por passeios largos, por uma Lisboa verdejante, pela abolição dos sacos de plástico, por uma taxa de pobreza sobre as transacções na bolsa. Esta não vai custar muito.
• Escolher algumas causas e promovê-las verbalmente, visualmente ou por escrito, contribuindo para a participação dos cidadãos no planeamento do seu território. Num país onde todos julgam ser médicos, futebolistas e advogados, suspeito ser fácil convencer as pessoas de que também são ecologistas. Bastava o Santana Lopes, Berardo, Menezes e Jardim virem a público dizer que reciclam, que venderam o carro e vão de transportes e que guardaram os embrulhos de natal para o próximo ano. Aí estaria a minha resolução concretizada num dia. Ok, ok, não vai ser tão fácil.
• Transformar pelo menos 10 amigos em eco-cidadãos. Para os economistas: não estou a usar a palavra eco-consumidor propositadamente.
• Deixar de apoiar produtos que não sejam acompanhados de uma bula que indica de onde vem este “stuff”, de quê é feito, quem fez, em que condições, quantos km’s viajou, quantas emissões causou, quanto tempo podemos esperar que dure, e, muito importante, o que fazer dele quando já não serve (mesmo). Bem, esta resolução acabou de arrasar com a minha despensa.
• Deixar de apoiar o design que só se rege pelo adágio “forma e função”. O design que vou apoiar é o que incorpora critérios como renovabilidade dos recursos, extracção, produção e distribuição responsáveis, re-usabilidade, biodegradabilidade, segurança e durabilidade. Perdoem os anglicismos.

R de REVIGORAR
• Pontualmente, vou fazer uma coisa que não costumo fazer.
• Vou esticar e depois esticar mais um pouco a minha zona de conforto. Por exemplo, dizer sempre "knojo", muito alto, quando alguém cospe no chão.
• Qualquer oportunidade é boa para celebrar. Quando o Metro chega a Alfama. Ou quando a lua está cheia.
• Vou continuar a sonhar dia e noite. Os sonhos são exercícios de visualização de projectos futuros, ergo alcancáveis. E é um bom passatempo, vou precisar de descansar de tanto verdejar.


Não sou adepta de citações, mas esta é recorrente e tão forte, não resisto.

"Se non lo faccio, chi lo farà? Se non ora, quando?"

4 comentários:

FeminineMystique disse...

Ena, ena, andamos cheias de ideias madrugadoras!

Só não vou muito à bola com essa do eco-cidadão... e não é por achar que a alternativa eco-consumidor seja melhor!

Mas fica aqui o elogio a essa recusa da falsa alternativa que é compensar as emissões dos nossos excessos...

Sr. Funesto disse...

E onde é que ponho o lixo biológico? Já há sacos para isso?

miss_blythe disse...

Os meus motivos não são tão nobres como os teus, mas servem exactamente o mesmo propósito: ser "verde".
- há 2 anos que não me zango nem sinto qualquer tipo de tensão provocada pelo trânsito ou pleos seres maníacos assassinos que se sentam atrás nos volantes nacionais;
- sair do supermercado com um shopping bag é tão mais giro e parisiense que com os estúpidos sacos de plástico;
- sempre fui adepta de comida biológica e eliminar qualquer alimento processado ajuda a emagrecer;
- é sempre muito mais elegante ter umas quantas peças clássicas e misturá-las com eventuais aquisições sazonais em tecidos nobres que vestir zara e bershka dos pés à cabeça, ainda com as etiquetas de fora;
- a culpa não pesa e a consciência não dói. Ajuda sempre a respirar melhor.

Bom 2008.

Pepe Luigi disse...

Passei para lhe desejar um final de 2007 em cheio e um ainda melhor começo de 2008.