quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Sugestões de munícipe para uma Lisboa sustentável

To: lisboacontaconsigo@cm-lisboa.pt

Boa tarde, Lisboa

Gostava de contribuir para a maior participação dos munícipes no planeamento da cidade e consequentemente para uma Lisboa mais sustentável e justa com algumas (primeiras) sugestões, umas estratégicas, outras mais práticas:

1. Maior participação dos munícipes, com o pontapé de saída dado pela CML. Estou contente com os sinais positivos dados, mas é preciso ir mais longe, de modo a aplicar plenamente a iniciativa Agenda 21: nenhuma alteração da configuração da cidade deverá ser efectuada sem uma consulta activa aos interessados: moradores da zona em questão, empresas aí sedeadas, associações e movimentos de cidadania, especialistas independentes. Ainda ouvimos falar de demolições de prédios premiados ou supostamente protegidos sem que seja do conhecimento público. Ainda há árvores milenares que desaparecem de um dia para o outro. E continua a haver atentados à integridade estética, social e ambiental da cidade de Lisboa com construções monstruosas reservadas a uma elite, a tirar espaços verdes, vista e ar limpo aos restantes cidadãos.

2. Os planos de ordenamento deveriam estar todos interligados e inseridos no plano regional, pois os efeitos de decisões tomadas numa área afectam praticamente sempre outras áreas. A criação de corredores verdes e a re-abertura de lisboa para a sua frente ribeirinha devem ser estudados e debatidos a nível da região. Não basta ter um parquezinho num sítio quando há edifícios densos que aquecem e pioram o ar noutro. A cidade é um organismo, inserido em vários ecosistemas que se estendem para todos os lados do vento, e interage com eles. Devemos estudar o organismo como um todo, é saudável se todos os seus órgãos funcionam e quando mantém uma relação sustentável com o seu meio-ambiente.

3. Lisboa podia ser a segunda cidade do mundo (e primeira capital) onde são banidos os sacos de plástico. Ninguém precisa de sacos de plástico, só mesmo quem os vende! E quem os vende, segundo as leis do mercado, vende o que lhe pedem. Deixemos de pedir, e propor-nos-ão novos produtos mais sustentáveis (sacos de pasta de milho, por ex). Eu faço uma vida "sem sacos de plástico" há 10 anos, e é facílimo. Basta andar sempre com um saco de pano, até há sacos enroláveis que ficam formato de bolso. Os sacos de plástico são uma verdadeira praga ecológica, responsáveis pela morte de milhares de aves e peixes, há mais plástico no fundo do mar do que algas. Além de que contribuem para as emissões de CO2, na produção e destruição.

4. Voltem por favor a propor à assembleia municipal a maior taxação de prédios devolutos. Tem que ser caro não querer investir num prédio abandonado ou recusar de o vender a quem queira investir. A propriedade é relativa. Estes prédios também pertencem à cidade e aos munícipes, e estes devem poder ter um voto no destino do património da cidade.

5. Devolvam o "verde", e todos os seres que com ele regressam (pássaros, borboletas, grilos, quem sabe, sapos) à cidade de Lisboa. Tirando os seus pulmões fantásticos, Monsanto, é das capitais europeias mais "betão" que conheço.. Com o verde, venham os passeios e ciclovias que sei que constam do vosso plano de actividades. Uma ciclovia sem verde perde atracção.

6. Voltem a popular a cidade de Lisboa. Invirtam a tendência de suburbanização, que traz com ela construção selvagem e barata, mais de 1 milhão de carros a entrar na cidade, crescente alienação dos cidadãos e maior insegurança no centro da cidade. Uma cidade compacta que está viva 24 horas por dia é uma cidade segura, economicamente viável, culturalmente mais activa e, muito importante, com uma mobilidade a 4 rodas muito mais reduzida. Para quê catedrais do consumo se podíamos fazer as nossas compras a pé?

7. Uma combinação de alguns dos pontos acima expostos podem ajudar para acabar com a ditadura do automóvel. Cidades bem mais pobres o fizeram (Bogotá). Popular e compactar a cidade, uma rede de transportes públicos completa, zonas verdes, ciclovias, bairros históricos onde apetece passar a tarde a pé, núcleos de comércio de rua, dias sem carro,..


Por ora, fico por estes 7 pontos. E já que contam comigo ;) conto enviar mais em breve.

Obrigada pela atenção

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